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Autoblindagem

Diz ditado popular, “quem muito explica, se complica”. Essa é a impressão da classe política em relação às tentativas do governador Paulo Hartung (PMDB) em se blindar no processo eleitoral. Hartung ainda tenta manter a imagem imaculada que conseguiu criar nos seus dois primeiros mandatos, mas hoje, essa história não cola mais.

Primeiro, o governador tentou convencer todo mundo que não tinha digitais suas em palanques Estado afora, mesmo estando seu secretariado trabalhando em várias campanhas. Até parece que ninguém conhece o perfil centralizador de Hartung para acreditar que os secretários estavam livres para fazer suas escolhas eleitorais, sem pedir permissão ao chefe. Por que não tinha ninguém nos palanques dos desafetos do governador, então?

Depois ele mesmo fez intervenções em alguns palanques, como no de Erick Musso (PMDB), Rodney Miranda (DEM) e Sérgio Vidigal (PDT). O mercado político não viu em sua movimentação essa tal “delicadeza extraordinária”, que ele tanto fala. Onde entrou, entrou mal. Erick Musso perdeu em Aracruz. Rodney Miranda, em Vila Velha e Sérgio Vidigal não precisava de Hartung para ir para o segundo turno contra Audifax Barcelos (REDE), na Serra.

Depois o governador liga para rede nacional para dizer que não tinha apoiado Amaro Neto (SD) em Vitória e o remendo fica ainda pior, porque avaliação de fora para dentro é de que ele deveria apoiar Lelo Coimbra, que é de seu partido, o PMDB. Nacionalmente, Hartung não quer ser visto como apoiador de um candidato com linha popular, afinal ele trabalha a construção de uma imagem de político de primeira estirpe, alto clero, com condições de disputar cargos de primeira importância.

E se Amaro Neto não vencer na Capital, Hartung emplacaria a segunda derrota consecutiva. Isso não seria nada bom para quem já foi projetado até como possível candidato à Presidência. Mas, mais do que falar, é preciso convencer e para isso é preciso mais do que simplesmente jogar para os jornais essa história manjadinha de que não perdeu porque não disputou.

Perdeu, sim. Perderam ele e o ex-governador Renato Casagrande (PSB). Saíram mal dessa eleição e, sim, disputa municipal é importante para os dois para se fortalecerem para 2018. No mais, é tudo tentativa de inócua de convencimento

Fragmentos:

1 – A eleição em Guarapari deixou mágoas. O prefeito eleito Edson Magalhães (PSD) fez um discurso na noite de domingo bem duro. Como para bom entendedor um pingo é letra, as falas eram direcionadas aos adversários políticos da eleição. Chamou a disputa de “nojenta”.

 

2 – Magalhães venceu a eleição por apenas 154 votos de diferença do segundo colocado, Carlos Von (PSDB), uma situação bem diferente de 2012, quando, mesmo impugnado, arrematou mais da metade dos votos, forçando uma eleição extemporânea.

3 – O clima nas câmaras de vereadores da Grande Vitória nessa segunda-feira (3) era de pouca festa e muito velório. Com grande parte dos vereadores rejeitados nas urnas, agora o jeito é encaixotar as coisas até dezembro.

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