Momentos de grandes mudanças são sempre acompanhados de resistência conservadora, muitas vezes violenta e autoritária, demonstrando que seus conceitos e preconceitos estão ruindo. São tentativas de retrocesso ameaçando avanços, mas surpreendidos com avanços maiores ainda.
A atitude da cúpula católica com relação aos homossexuais reflete bem essa situação. Um novo tempo, mas tolerante e inclusivo com a diversidade sexual, marca uma abertura ideológica que vai ao encontro da juventude que deseja a oxigenação das liturgias e a quebra de dogmas que não cabem mais no mundo atual.
Isso provoca a reação de alas retrógradas, ainda presas na ansiedade de domínio, que se ressentem da liberdade de pensamento, instituições super conservadoras e fundamentalistas, que tentam impor um padrão de vida irreal e totalmente à parte do mundo contemporânea.
Esses padrões de prelazias como a “Opus Dei” – expressão em latim que significa “Obra de Deus” – fundada por volta de 1928, e que propunha recriar com severidade uma santidade baseada na castidade, no isolamento e na auto flagelação, tentam ainda impor normas de conduta social, coibindo avanços e promovendo retrocessos, uma forma inquisitorial de cunho religioso / político de extrema direita.
Hoje, o Brasil, assiste a um arremedo hipócrita dessa conduta fundamentalista religiosa, que se traveste de moralista, mas que desaba na demagogia política, para enriquecimento ilícito e promoção de privilégios baseada na chantagem política e no estelionato.
Tanto no conservadorismo católico , quanto evangélico, a base é a mesma, manutenção e aumento de privilégio e influencia no destino politico das nações. Mesmo tímido o documento católico abre espaço para o debate da nova composição familiar, que por sua vez propõe mudanças no comportamento social, promovendo cada vez mais a inclusão da diversidade sexual.
Isso representa quebra de estigmas, humaniza o dialogo e enfraquece o preconceito. Os evangélicos fundamentalistas, na contra mão da história, representam a tentativa do retrocesso, repetindo a antiga dualidade de bem/mal. Pena que o Brasil, mesmo sendo um país que caminha a passos largos para um novo patamar de representatividade mundial, esteja ainda atolado na política de ódio, e na falácia oportunista de quem usa seus dogmas para influenciar os destinos da nação.
Mas, a vida vem em ondas como o mar, e avanços e tentativas de retrocessos impulsionam a evolução do pensamento humano, o que não pode acontecer é o recuo em avanços já conquistados, aí está o perigo. Quem decide é você com o seu voto.
Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

