domingo, março 15, 2026
26.9 C
Vitória
domingo, março 15, 2026
domingo, março 15, 2026

Leia Também:

Aves migratórias

Sem alarde está para entrar em operação em São Mateus, norte do Estado, a primeira montadora de veículos do Espírito Santo. Não é nenhuma “Brastemp” da indústria de veículos de passeio, como sonharam governadores do passado: é a Volare, fabricante de ônibus leves, filhote da gigante Marcopolo, de Caxias do Sul. Uma rara ave migratória.
 
Segundo a promessa feita em abril passado, quando foi iniciado o investimento de R$ 35 milhões, a Volare capixaba terá capacidade inicial de montagem de 10/12 veículos por dia, empregando 200 pessoas. Dentro de dois anos, terá triplicado a produção diária, chegando a 1 mil empregados distribuídos em oito prédios “ecológicos” — com pé direito de 10 metros e telhado duplo para aproveitar a ventilação natural.
 
Nas asas da Volare, decidiu instalar-se em São Mateus a Agrale, outra indústria de Caxias do Sul que vai começar fabricando chassis para ônibus (para a própria Volare), mas só partir de 2015. Fabricante de tratores e pequenos caminhões, a Agrale tem três unidades em Caxias do Sul e uma na Argentina.
 
É animador saber que a primeira montadora a pousar no Espírito Santo vai fabricar veículos para o transporte coletivo, mas por que somente agora uma, duas montadoras – de capital nacional – decidiram instalar-se no estado capixaba? E por que em São Mateus e não em Linhares ou na Serra, junto ao complexo portuário da Grande Vitória?
 
Não é preciso ir ao rico acervo de dados do Bandes para captar as razões das montadoras caxienses. Primeiro, elas precisam reduzir o custo dos fretes dos seus produtos para os mercados mais distantes do Sul. Para elas vai sair mais barato entregar microônibus e limousines no Sudeste, no Centro Oeste, no Nordeste e no Norte. Se exportarem para outros países, há também um ganho logístico a partir dos portos capixabas.
 
Em segundo lugar, quanto, além do ganho logístico, terá pesado na decisão da Volare o fato de a porção norte do ES fazer parte da Sudene? Faz pouco mais de 15 anos (foi no final do governo Buaiz) que a região acima do rio Doce integrou-se ao regime fiscal que beneficia o Nordeste. De 1998 para cá, quantos empreendimentos foram atraídos por essa benesse? Ou pela vantagem geologística do Espírito Santo? O Bandes certamente tem a resposta  Mas fica uma pergunta: por que somente agora, gente boa de Caxias do Sul?   
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
O terreno plano de quase 80 hectares onde se instalou a Volare era usado anteriormente para o cultivo de eucaliptos. Assim, a indústria gaúcha pode dizer que entrou no Espírito Santo praticando o desmatamento zero.  

Mais Lidas