À primeira vista, pode parecer que Theodorico Ferraço (DEM) sofreu uma derrota ao ter seu requerimento de uma sessão especial rejeitada pelo plenário da Assembleia Legislativa em uma manobra da base governista na Casa. Mas só à primeira vista. A “derrota” no plenário significou uma vitória política.
Politicamente, Ferraço impõe um desgaste na já fragilizada imagem do governo, ao mostrar à sociedade a falta de interesse do Executivo no debate sobre a crise na segurança pública. Reforçou a percepção que o governo não admite o diálogo com o movimento paredista da Polícia Militar e não reconhece a Assembleia como uma instituição com legitimidade para participar desse debate.
Ferraço jogou uma isca e o governo mordeu. Crítico do secretário André Garcia – o deputado chegou a pedir em nota a saída do secretário no auge da crise –, o demista joga na conta do governo do Estado a responsabilidade pelo alongamento da crise, no momento em que se recusa a um debate aberto sobre o tema.
De quebra, o deputado mostrou força política ao conseguir dividir o plenário e deixou claro que existe um grupo resistente se formando. Ao receber o apoio do sensato Sérgio Majeski (PSDB), que sozinho se colocou contrário ao rolo compressor do Executivo e com isso só fez aumentar seu capital político, diferentemente dos aliados do governador na Casa, Ferraço pinta um quadro preocupante para Paulo Hartung.
Ferraço dá a entender que o governo pode vir a enfrentar uma oposição qualificada no Legislativo, algo que não conheceu até aqui, salvo algumas incursões nos tempos de Brice Bragato (PSol). A questão é que os questionamentos de Majeski são claros e diretos, quanto a Ferraço, Hartung não sabe o que esperar.
O deputado tem na Assembleia seu espaço de poder e ali tem força para se movimentar livremente. Na planície, o deputado pode incomodar muito mais do que na cadeira de presidente e isso é preocupante para quem precisa recuperar uma imagem desconstruída com uma crise política e com um grupo político que se organiza do outro lado do balcão.
Fragmentos:
1 – Os prefeitos de Cariacica, Juninho (PPS); e da Serra, Audifax Barcelos (Rede), começaram seus segundos mandatos entendendo que não dá para ficar no gabinete. Têm realizado reuniões constantes nas comunidades e mostrado a cara na rua.
2 – Essa história de que o deputado estadual Marcelo Santos pode sair do PMDB por causa da importação do café do Vietnã não convenceu o mercado político. Depois de duas derrotas consecutivas em Cariacia, ele só deixa o partido se o governador Paulo Hartung sair da sigla. Vai com ele até o fim.
3 – O deputado estadual Josias Da Vitória (PDT) solicitou que a Assembleia Legislativa envie ao governo do Espírito Santo e ao governo federal uma nota de repúdio à importação do café Conilon do Vietnã.

