sábado, agosto 30, 2025
19.9 C
Vitória
sábado, agosto 30, 2025
sábado, agosto 30, 2025

Leia Também:

Brallywood fica ali na esquina

Nessa terça, ensolarado quarto dia do mês de agosto, o curta-metragem “Objetos” será lançado no Cine Metrópolis da Ufes, não por acaso baseado em roteiro dessa escriba. As desventuras de um cobiçado par de tênis – objetos, pois – chega ás telas graças à sensibilidade e às lentes mágicas do diretor Marcos Valério Guimarães.
 
Em 2010, quando foi lançado o curta “Linhas Paralelas”, do diretor Orlando Bonfim, adaptado de um livro de contos de minha autoria, escrevi nesse espaço, “No Brasil, fazer filme, mesmo um curta, é uma odisseia. Qualquer que seja o ângulo focado pelas câmeras, sempre aparece a legenda: difícil!” Cinco anos depois, nada mudou. Continuamos subdesenvolvidos em cinema, e alguns sucessos internacionais são apenas exceções à regra.
 
Não criamos um estilo brasuca, embora as novelas comprovem que temos todo o potencial para desenvolver uma indústria cinematográfica criativa e presente nas telas internacionais – nossa Brallywood, como a Índia impôs seu Bollywood, que supera as produções de Hollywood em quantidade de filmes e bilheteira. Os indianos exploram sua própria cultura e desenvolveram um estilo singelo mas eficiente.

 

São 800 longas e mil curtas produzidos anualmente, vistos por 2.7 bilhões de pessoas! Os ingressos são baratos e há censura, para que os filmes possam ser vistos por toda a família, o que se traduz em maior audiência. Ainda em 2005, esses filmes renderam 100 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos, sendo os filmes estrangeiros mais
lucrativos no país. Hoje em dia, 60% dos lucros vem do mercado internacional. Enquanto isso, ao sul do Equador…
 
O crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes, autor do ensaio “Cinema: trajetória no subdesenvolvimento”, teria dito, “Assistir ao pior filme brasileiro vale mais do que ver o melhor filme estrangeiro”. Alguém lhe deu ouvidos? Parabéns, Marcos Valério, pela façanha de apresentar nesse evento não apenas um, mas dois documentários de sua autoria, uma tarefa pra super-herói! Continue na luta.
 
O Valério e essa escriba convidam para o lançamento no Cineclube Metrópolis, às 20h30
 
OBJETOS
(2014, ES, 15 min.)
Ficção. Em um bairro da ilha de Vitória, um par de caros e desejados
tênis passa de pés em pés, trocados por sexo, violência, esperteza e
drogas. Um ensaio sobre a pulsão do consumo, o desejo pelos objetos, o
desejo-coisa.
Roteiro: Wanda Sily
Direção, montagem e desenho de som: Marcos Valério Guimarães
Fotografia: Lucas Bonini
Com Fábio Aiolfi e Daniel Poltronieri
 
MELODIÁRIO – SOBRE A OBRA DE JACEGUAY LINS
(2015, ES, 30 min.)
DOC. Ensaio sobre a obra musical, cinematográfica e poética do
Maestro, poeta, montador e trilheiro de cinema Jaceguay Lins. Artista
da vanguarda musical brasileira na década de 1970, Lins fez trilhas e
músicas para grandes nomes do cinema brasileiro. Na década de 1980
veio reger a Orquestra Filarmônica do ES e passou a desenvolver
pesquisas sobre a cultura popular, agregando a expressão folclórica às
suas composições. Fez também inúmeras trilhas para o cinema capixaba.
Melodiário, seu trabalho derradeiro em disco, que sintetiza essa
pesquisa, é o lugar de trabalho deste filme.
Direção, roteiro e montagem: Marcos Valério Guimarães
Música: Jaceguay Lins
Com: Paula Galama, Marcelo Ferreira, Vânia Dantas Leite e Jonas Tupã Karai.

Mais Lidas