A desistência da candidatura ao Senado do delegado Fabiano Contarato, pela sua repercussão, e por representar uma clara rejeição à vida política, virou uma ação de resistência. Com reflexos nas eleições que se aproximam. Se antes do episódio já havia uma forte tendência para votos brancos e nulos, vai fazer crescê-los.
Além desse estímulo, a passagem, breve por sinal, de Contarato por um partido político, no caso o PR, de Magno Malta, prejudicou tanto o partido como o senador. O PR, que já lida com o prejuízo de Magno não ter se candidatado ao governo, fica agora também impossibilitado de ganhar o Senado. O partido vai para a disputa com capital eleitoral para fazer apenas dois estaduais e meio federal (dependência de sobra de legenda).
Pois, até então, o Contarato representava a moeda de compensação pelas perdas de Neucimar Fraga (PV) e dos deputados estaduais Vandinho Leite (PSB), José Esmeraldo (PMDB) e Glauber Coelho (PSB).
O PR é agora um partido sem perspectiva, pelo menos no atual processo eleitoral. Dependente do senador Magno Malta que, em matéria de eleição, só voltará a disputar em 2018, por ocasião de sua reeleição para o Senado. Convenhamos que é um tempo relativamente longo. Pelos menos, em política, costuma ser.
Das perdas anteriores ao episódio Contarato, Neucimar pode vir a ser senador, Vandinho Leite é cotado para ser um dos federais mais votados, e Esmeraldo e Glauber estão com chances amplas de reeleição. E a mulher do senador, a deputada federal Lauriete (PSC), abriu mão de uma reeleição.
Na hora em que se contabiliza as perdas do PR para esta eleição, há de se acrescentar que Magno vai ficar sem exercitar o seu eleitorado, que é o baixa renda. E eleitor é como atleta, precisa de exercícios eleitorais. Magno não é daqueles que transfere voto.
Feito o inventário do PR, fecho comentário convencido de que o estrago da rápida passagem do Contarato pela política, serviu, sobretudo, para aumentar a aversão atual à classe política. Estamos falando em termos gerais, mas o leitor tem que entender que trata-se da nossa também.
A eleição no Estado está só começando e já dá sinais claros de que vai ter pancadaria, principalmente no campo das elites, com o confronto já em marcha entre o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung (PMDB). Como não há eleição propriamente dita há pelos menos 12 anos no Estado, essa vai ser para valer. E sangrenta.

