O PT é formado várias correntes internas, que por um lado garantem a democracia no partido, já que surgiram com o objetivo de colocar na mesa de discussão pontos de vista diferentes para a aprimorar a democracia. Mas por outro lado, acabam criando um embate que muitas vezes se torna nefasto, devido ao jogo de poder.
Quando foi criado, o movimento sindical acabou se tornando uma corrente. Mas de lá para cá muita coisa mudou e o movimento acabou se retalhando em muitas correntes, criando acirramento entre suas lideranças dentro do partido e fora dele. Muitas lideranças confundem as coisas e acabam administrando os sindicatos como administram as correntes.
Um exemplo disso é o caso do Sindilimpe. O sindicato administrado pelo PT, mas divido entre duas vertentes, é filiado à CUT, também gerida pelo PT, só que por outra corrente. O sindicato passou por uma série de problemas que vão de denúncia de fraude em eleição a afastamento da direção por improbidade. E a CUT como fica nessa história?
Acompanhou de uma distância bem segura. Ficou vendo os navios passarem. Mas o futuro pode trazer surpresas. A CUT tem de deixar de lado a questão partidária e atuar como central, encarando os problemas dos sindicatos de uma democrática e sem tendência, passando por cima disso. Senão, amanhã, o problema vai bem maior.
A sociedade mudou, a política mudou, mas as discussões dentro das tendências e entre elas continua a mesma do início da década de 1980 e isso vai fazer não só com que o PT, mas também o movimento sindical seja atropelado pelo tempo.
Se continuar essa discussão em torno de tendências, a direita vai acabar tomando conta de tudo, de PT a sindicatinhos, porque os grandes já estão caminhando na mesma direção, negociando melhor com as empresas do que com os trabalhadores.
Mudança já!

