
Após onze dias de “greve branca” da Polícia Militar, olha que sintomático: a lista dos eleitos “culpados” pelo governo Paulo Hartung pela grave crise na segurança pública saiu primeiro do que a dos 145 mortos. A primeira leva de investigações atinge 154 policiais, que poderão responder por motim ou revolta, cuja pena pode chegar a 20 anos de reclusão, bem como a expulsão dos quadros da Corporação. E, como já avisou o governo, é só o começo. Já a lista dos mortos, cobrada desde o início desse caos, nem sinal. Dos números, só se sabe graças ao trabalho realizado pelo Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindipol), que a gestão estadual inclusive chegou a contestar, mesmo sem ter o que apresentar. Assim como se desconfiava, os dados da entidade confirmam que as vítimas são as de sempre: jovens negros e pobres, com origem em áreas consideradas de exclusão, de municípios que, não por coincidência, têm sido motivos das atuais queixas relacionadas à má distribuição do policiamento feito pelo Exército e Força Nacional, como Serra, Cariacica e Vila Velha. Embora a gestão estadual não faça outra coisa a não ser convocar coletivas e mais coletivas, as mortes ainda não motivaram nenhuma delas. A preocupação do governo, nessas conversas com a imprensa, é única e exclusivamente se livrar de responsabilidades e apontar o dedo para os “culpados”. Como fez, mais uma vez, para divulgar a primeira lista dos investigados nesta terça-feira (14). Tanto no caso das mortes dos últimos dias como no ranking dos anos, que elevam os já altos índices de homicídios no Estado, as respostas da gestão Hartung têm seguido apenas uma máxima. Não têm como prioridade o respeito e a solidariedade às famílias das vítimas, mas sim propagar um discurso de excelência em gestão, que há anos garante a maquiagem das duras estatísticas do Espírito Santo. No aguardo da próxima lista, que…palpites?
Me engana…
A propósito, Hartung já retornou ao cargo após licença médica, o Estado continua em guerra, mas as redes sociais do governador ainda estão em outro planeta, como se absolutamente nada tivesse acontecendo.
Mais uma
O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), que não é bobo nem nada, gostou tanto da vitrine política conquistada com a Caminhada da Paz desse domingo (12), em Camburi, que resolveu fazer outra. Mas desta vez, para contornar as críticas de que só circula em área nobre, o bairro escolhido foi São Pedro. A convocação é para esta quinta-feira (16), às 18 horas, com o mesmo pedido: “venham de branco”.
Oportunidade
Se piscar o olho, Luciano daqui a pouco percorreu todas as regionais, tipo aquelas reuniões dos Gabinetes Itinerantes, que foram muitos, mas até hoje não se sabe o que rendeu de positivo para a população.
Teste
Vamos ver se, em São Pedro, a classe política também irá comparecer em peso.
Churrasco?
Cena vista nessa segunda-feira (13), lá pelas 18 horas, no Extraplus do Hortomercado, em Vitória. Dois militares do Exército na fila do caixa, com quatro sacos de carvão, duas bandejas de linguiça e, um único item destoando do cenário: desodorante Rexona.
Ruim de roda
Por falar em Exército, se os militares que estão nas ruas fizeram aulas de tiro no mesmo lugar das aulas de direção, estamos perdidos!
Debate
A crise na segurança pública é tema de mesa redonda nesta quinta-feira (16), às 18 horas, na Associação dos Docentes da Ufes (Adufes).. Participam Orlando Zaccone D’Elia Filho, delegado da PC do Rio de Janeiro; Humberto Ribeiro Junior e Acácio Augusto, do Observatório de Direitos Humanos e Justiça Criminal do Estado (ODHES); o advogado André Moreira e Helder Gomes, economista.
Enquanto isso…
A deputada estadual Luzia Toledo (PMDB) pode reacender a guerra entre as moquecas capixaba e baiana. Ela apresentou projeto alterando o parágrafo único do artigo de sua própria autoria, diante da polêmica gerada com a adição de água na moqueca em uma receita repassada pelos jornais. A emenda à lei deixa claro que é “terminantemente proibido acrescentar líquidos à receita”. Muito relevante, principalmente neste momento, só que não.
Nas redes
“(…) Voltei a cobrar uma distribuição mais justa e proporcional do efetivo da Força Nacional. A Serra, maior cidade e mais populosa do Estado, sofre muito! Jacaraípe é um dos bairros mais atingidos pela onda de violência. Do que adianta tanques de guerra nas vias principais, se as comunidades, os bairros estão entregues à marginalidade?”. (Deputado estadual Bruno Lamas – PSB – no Faceboook).
PENSAMENTO:
“O maior líder é aquele que reconhece sua pequenez, extrai força de sua humildade e experiência da sua fragilidade”. Augusto Cury

