Chamou atenção nos últimos dias o comportamento das lideranças tucanas no contexto do “barata voa” da desistência de Luiz Paulo Vellozo Lucas da disputa eleitoral em Vitória. Parece que o partido virou um aglomerado de lideranças, que fazem uma série de movimentos sem combinar um com o outro.
Enquanto Luiz Paulo pressionava o Palácio Anchieta para que o governador tirasse do caminho da disputa Amaro Neto (SD) e Lelo Coimbra (PMDB), o senador Ricardo Ferraço participava de um almoço que costurou a ida do PSDB para o palanque de Sérgio Vidigal e a ida do PDT para o palanque de Amaro Neto.
Agora o próprio Ricardo Ferraço aparece como uma possível solução para a lacuna aberta com a saída de Luiz Paulo do jogo. Embora pouca gente acredite nessa história de Ricardo candidato, sua movimentação foi fundamental para fortalecer a candidatura de Amaro Neto e, consequentemente, enfraquecer o palanque de Luiz Paulo.
Quem também vem fazendo movimentações visando o fortalecimento de seu próprio palanque é o vice-governador César Colnago, e não é de hoje. Foi Colnago que tirou o PSDB do palanque de Renato Casagrande (PSB) em que Luiz Paulo seria o candidato ao Senado, e levou para o do governador Paulo Hartung, virando vice.
As movimentações de Colnago hoje visam a proteger seu futuro. Não há qualquer garantia de que Hartung não dispute a reeleição, abrindo espaço para a sua candidatura. O capital do vice, que está um pouco escondido desde o início do governo, não apresentou grandes ganhos desde então, o que dificultaria outras pretensões de Colnago.
Por isso, ele faz um jogo buscando aumentar sua musculatura e o PSDB vira ferramenta nessa hora. Quando sugere ao deputado estadual Sérgio Majeski ser o candidato a prefeito, ele está claramente dando uma cutucada no governador. Se tem um nome que Hartung não gostaria de ver em um palanque/programa de TV/debate, esse nome é Sérgio Majeski.
Outro que também vem se movimentando no Estado todo é Max Filho. Agora, com a mexida em Vitória, fica pressionado a disputar em Vila Velha. O deputado federal, desde que venceu a eleição em 2014, vem se fortalecendo tanto dentro como fora do PSDB, e tem planos para 2018, assim como Colnago e Ricardo Ferraço. Luiz Paulo, ao se poupar em 2016, dependendo de como vai se movimentar nos bastidores, também pode ganhar um bom espaço para a disputa. Resta ver como se acomodam tantos tucanos em um só palanque.
Outra coisa que também mexe no tucanato. Após a eleição de 2014, o Espírito Santo não vive mais um cenário de unanimidade. Ao desistir da disputa e conversar com Luciano Rezende (PPS), Luiz Paulo dá um passo na direção de Renato Casagrande, e Max Filho nunca foi grande amigo do governador. Ricardo Ferraço tem o abril sangrento em sua trajetória e Colnago é um sobrevivente que busca sempre o caminho mais seguro para garantir um palanque bem sólido.
Fragmentos:
1 – O deputado federal Sérgio Vidigal está concentrado na disputa da Serra, por isso, quem tem cuidado das articulações do PDT Estado afora é vice-presidente do partido, o deputado estadual Josias Da Vitória. Está fazendo a articulação do partido, sobretudo, no interior.
2 – Nessa quinta-feira (21), ele participou do lançamento da pré-candidatura de Osvaldo Fernandes (PDT) à prefeitura de Mucurici, noroeste do Estado. O evento contou com a participação de representantes de 15 partidos.
3 –Luiz Paulo no palanque de Luciano Rezende (PPS) ou Sérgio Majeski (PSDB) candidato a prefeito de Vitória. Duas realidades que devem estar tirando o sono do governador Paulo Hartung (PMDB).

