Muito antes de começar a campanha eleitoral de 2014, o governador Paulo Hartung articulou seu retorno ao Palácio Anchieta trabalhando em duas frentes. Enquanto seus emissários, que atuavam dentro e fora do Palácio Anchieta, construíam a ideia de que a economia do Estado havia sido arrasada por Renato Casagrande, ele criava a ideia de que traria a solução para um dos grandes problemas do País: a educação.
E por que a educação? É um campo limpo, que mostra política de futuro e não tem quem vá ser contra qualquer tipo de ação que possa melhorar a qualidade da educação, já que isso aponta para oportunidades de trabalho. Então, ele construiu uma imagem enquanto estava fora do poder, com artigos que tentavam legitimar sua condição de discutir o assunto com propriedade.
Na campanha veio a solução mágica, um projeto pronto, acabado, que não precisaria ser discutido, afinal de contas, é uma solução para a educação. Quem não quer estudar em uma escola estruturada, com projeto pedagógico inovador, atenção diferenciada? Mas não é bem assim.
Hartung, na entrevista coletiva dessa terça-feira (29), tentou disfarçar, deu uma risadinha, mas deixou transparecer o desconforto com a pergunta sobre o Escola Viva. A pressão da comunidade escolar, de lideranças políticas sobre o tema colocou o programa no centro da discussão sobre a qualidade na educação como um todo.
Também expôs as falhas do programa, já que não leva em consideração os graves problemas sociais que estão dentro da escola. Estudantes trabalham durante o dia e só têm o período da noite para os estudos, ou que fazem estagio de quatro horas, ou que simplesmente têm de ficar em casa com os irmãos. Mas aí é só transferir para outra escola, em um bairro próximo, o que também não considera a trágica guerra do tráfico que divide as cidades da Grande Vitória e também do interior.
A questão vai muito além de buscar um debate sobre o assunto. Ela atinge o principal projeto político do terceiro mandato de Hartung. O que ele vendeu como seu maior projeto pode trazer desgaste político e queda de popularidade.
Fragmentos:
1 – A modinha de citar frases do escritor francês Antonie de Saint-Exupéry chegou até o Palácio Anchieta. Na coletiva do governador Paulo Hartung, nessa terça-feira (29), lá estava em um painel azul uma frase do autor do clássico “O pequeno príncipe”.
2 – Não pode Hartung esquecer outra frase famosa de Exupéry: “Viva o hoje, pois o ontem já se foi e o amanhã talvez não venha”.
3 – Pelo animo da Câmara de Vitória com o prefeito Luciano Rezende (PPS), ele vai ter dificuldade em manter uma base mínima para a disputa eleitoral do próximo ano.

