Assim como eliminou da vida política do Estado uma figura que surgia do nada para ganhar enorme projeção (refiro-me ao delegado Fabiano Contarato), o governador Paulo Hartung (PMDB) está em vias de repetir a dose com o deputado estadual Amaro Neto (Solidariedade), que também surge do nada – pelo menos em termos de política – para mudar um rumo eleitoral importante no Espírito Santo. No caso de Amaro, as eleições à prefeitura de Vitória.
Mal ele mostrou suas chances na Capital, PH, como fez com Contarato, passou a conduzir seu novo marionete dentro da competição em Vitória, com a manifesta intenção de levá-lo ao segundo turno da peleja no lugar do atual prefeito Luciano Rezende (PPS).
A manobra enseja uma disputa entre Amaro e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Aí, certamente, acabará a viagem dele no caminho de vir a ser uma celebridade política. O que pelas intenções de poder de PH, não cabe ninguém com apelos populares, na atualidade política do Espírito Santo.
Nessa selva política capixaba, só tem vida longa ave de brejo que voa baixo. Não há espaços para outras espécies, sobretudo para aves de rapina, como os gaviões. PH, como um caçador de elite, abate logo as espécies raras, e programa a destruição dos que estão entrando com cheiro de povo.
Por ora, Amaro é o melhor instrumento para impedir que o Luciano Rezende faça estragos nas pretensões de PH continuar de posse do poder no Espírito Santo. Pois se Luciano ganhar as eleições em Vitória, solta o ex-governador Renato Casagrande para levar a melhor sobre PH na próxima disputa para o governo, em 2018.
Palanque vencedor em Vitória, com Casagrande nele, é meio caminho andando.
Mas voltando ao caso Contarato, à ocasião da disputa de 2014, Hartung tirou o delegado, que concorria ao Senado, do palanque de Casagrande em cima da hora, manobra que contribuiu para a derrota de Casagrande.
Depois de ganhar as eleições, PH deu um fim em Contarato, jogando-o no Detran para ser consumido como foram consumidos quase todos que por lá passaram, impedindo que uma das maiores autoridades deste pais em matéria de trânsito chegasse ao Senado, e com a cara que ambiciona o povo que está na rua para mudar a safra de homens públicos que detêm mandatos.
Quanto ao Amaro, é bom que se diga logo, ele não chega perto do Contarato em matéria de qualidade política. Ele é de outra espécie: populista. Homem de mídia que conquistou popularidade através de programa de TV dirigido à população de baixa renda, garantindo penetração nesse segmento, sobretudo, na Grande Vitória.
Está fadado, contudo, a ter o mesmo destino do Contarato: as trevas da política.

