Com a consolidação da vitória de Dilma Rousseff (PT) para a Presidência da República, o governador eleito Paulo Hartung (PMDB) convocou a imprensa para dizer que fará uma oposição para pressionar o governo a atender às demandas da população. O governador Renato Casagrande também emitiu nota destacando a “discriminação” e o “desequilíbrio” da relação do governo federal com o Estado.
Na entrevista, Hartung voltou a questionar a paralisação das obras do Aeroporto de Vitória, uma ladainha que exclui sempre os problemas de desvio de verbas no empreendimento, que levaram à intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU), dinheiro que, aliás, nunca mais se viu.
O governador eleito voltou a cobrar atenção do governo federal, um discurso que causa indignação na cúpula do PT Nacional e no Palácio do Planalto. Isso porque Hartung nunca reconheceu os recursos concedidos pelo governo Lula no início de seu governo, com a antecipação dos royalties do Petróleo.
Esses recursos foram fundamentais para que o governador pusesse em ordem as finanças do Estado, contribuindo para que ele garantisse sua governabilidade pelos dois mandatos que cumpriu.
Além disso, muitos investimentos do governo federal foram colocados do Estado. Quando Hartung fala em “recadão” do eleitor capixaba para a presidente Dilma, muito da rejeição do capixaba ao governo do PT vem justamente dessa desconstrução promovida pelas lideranças, diante da distorção das informações sobre a relação do governo federal com o governo Estadual.
A discussão sobre os investimentos em estradas e aparato de escoamento de produção é outra questão altamente questionável pelo governo federal. As brigas da classe política e de setores empresariais sobre determinadas obras, que nada tem a ver com os benefícios à população, dificultam as ações, além da falta de projetos consistentes a serem apresentados para a liberação dos recursos disponíveis.
Com a bancada mais frágil do Congresso Nacional, o Espírito Santo não consegue pressionar seus pares. Não se encaixa em bloco, como acontece com o Nordeste e não tem nada a oferecer ao Sudeste para atrair o apoio das outras bancadas, bem mais consistentes que o Estado.
Diante disso, alguns membros da bancada, como a senadora eleita Rose de Freitas (PMDB), já jogaram a toalha. Sabe que essa movimentação de lamentações não vai resolver a situação. Dilma não vai se indispor com o resto do Brasil para atender a um Estado que não reconheceu os investimentos do governo federal e que ignora os desvios das verbas federais destinadas, para subverter a situação, jogando no colo do governo federal a falta de gestão dos recurso próprios.
Se Hartung quer atenção do governo federal terá primeiro que mudar sua abordagem, investir nesta excelência que ele tanto festeja de seu grupo técnico e apresentar projetos que atraiam a atenção do governo federal. Fora isso, sua pressão política não tem condições de desequilibrar o jogo nacional e vai ficar falando sozinho.
Fragmentos:
1 – Inconformados com o resultado das urnas, um movimento pelo Facebook tenta reunir manifestantes no dia 12 de novembro no Estado e o local escolhido foi qual? A Terceira Ponte.
2 – A chuva desse domingo (26) acedeu o sinal de alerta em Vila Velha. O prefeito colocou a culpa na população que, de certa forma, contribui sim, jogando lixo no canal, mas não para um efeito daqueles.
3 – Ou a prefeitura dá um jeito naquela obra do canal de Guaranhus ou Rodney Miranda (DEM) vai sofrer novo desgaste político com as chuvas do fim do ano.

