Com o agravamento da crise hídrica no Estado, começam a pipocar propostas de obras para amenizar a seca. Esse é um expediente antigo no Estado. A estratégia de usar medidas paliativas é um recurso que coloca a autoridade no contexto da crise, “mostrando serviço”. No fim de semana, o próprio governador Paulo Hartung (PMDB) sobrevoou o Estado mostrando os sinais da seca, tudo documento nas redes sociais.
A classe política capixaba não pode dizer que foi pega de surpresa pela crise hídrica. Essa é uma tragédia mais do que anunciada. No final do segundo governo Paulo Hartung, Renato Casagrande ainda no período de transição, viu de perto vários municípios em situação calamitosa, naquela ocasião, por causa da chuva.
Mas o tempo melhorou e as coisas ficaram como estavam. Em 2013, um fenômeno natural nunca visto no Estado trouxe uma chuva, que tudo bem, não tinha como prever mesmo, mas um planejamento para mitigar esses fenômenos poderia ter sido feito, sim.
Hartung quando tomou posse falava da preocupação com a crise hídrica. Em março, houve uma baixa nos níveis dos principais rios que abastecem o Estado. Mas aí choveu. Dez meses se passaram e nada foi feito e a crise hídrica se transformou em tragédia. Agora que os prefeitos estão decretando estado de calamidade se fala em obras, se reúne comitê de gestão de crise, as promessas são feitas. Mas aí, chove e tudo se esquece.
O problema é que esse tipo de obra não traz resultado a curto prazo e nem visibilidade política. É só ver o exemplo de Rondey Miranda (DEM) e sua estação de bombeamento. Sem a chuva torrencial para testar o funcionamento do equipamento, a obra não traz o capital político esperado
O discurso da mitigação da crise é mais fácil do que o longo e tortuoso caminho do planejamento. É preciso projeto, articulação política com o governo federal para conseguir os recursos, vontade política e driblar o assédio das empreiteiras, que muitas vezes comem o dinheiro e não entregam uma obra que satisfaça o interesse da população.
Fragmentos
1 – Ficou desconfortável a discussão entre Sérgio Majeski (PSDB) e Rodrigo Coelho (PT). Mas o tema não foi a ideologia dicotômica que divide o País. Majeski queria um pedido de desculpas e Rodrigo não aceitou fazê-lo.
2 – O embate entre o tucano e o petista começou na segunda, com o parecer de inconstitucionalidade de um projeto de Majeski. O tucano disse que os deputados não entenderam a importância do projeto e Rodrigo reagiu afirmando que Majeski acredita que sabe mais do que os outros.
3 – Com relação aos pareceres de inconstitucionalidade, a reclamação não é só de Majeski, o plenário está irritado com essas negativas de prosseguimento de seus projetos pela procuradoria da Casa.