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Caminho sem volta

Na entrevista que deu na manhã desta segunda-feira (6) à Rádio CBN-Vitória, o governador Renato Casagrande sinalizou que não pretende mexer na tarifa do pedágio da Terceira Ponte. O socialista sabe que cada centavo para cima lhe custaria milhares de votos em outubro. 
 
Embora tenha recuperado a popularidade no levantamento de dezembro do ano passado (49% de aprovação) na pesquisa CNI/Ibope, Casagrande sofreu um grande desgaste de imagem durante os protestos de junho e julho do ano passado. 
 
O “totem” simbólico das manifestações foi a Terceira Ponte. Quase todos os atos começavam ou se encerravam na praça do pedágio. O local também se transformou em front de batalha campal entre manifestantes e policiais, que invariavelmente agiam com excesso. 
 
Foi na ocasião da votação do polêmico projeto de decreto legislativo — que propunha o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte —, que a situação saiu de controle e os manifestantes tomaram o prédio da Assembleia Legislativa por 12 dias, desgastando ainda mais o governo.
 
Essa sequencia de episódios obrigou Casagrande a articular com o Judiciário e Tribunal de Contas do Estado uma saída estratégica para o impasse criado em torno da cobrança de pedágio na Terceira Ponte. A solução foi a abertura de uma auditoria para averiguar se a tarifa questionada era realmente injusta. Imediatamente, a Justiça determinou a redução da tarifa de R$ 1,80 para R$ 0,80, até a conclusão da auditoria.
 
A medida agradou aos motoristas que cruzam a ponte todos os dias e acabou esfriando os protestos, como planejara o governo. 
 
Seis meses depois do inferno astral que experimentou e com a popularidade 20 pontos mais robusta, o que o governador menos quer é ressuscitar o “fantasma” da Terceira Ponte. Depois de reduzir a tarifa, aumentar é praticamente um caminho sem volta. Por ele, supõem-se, a tarifa do pedágio segue congelada até 2018.

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