Ensina a velha cartilha da classe política que o terceiro ano de um mandato eletivo tem que ser o período de benemerência e dos “pacotes de bondades” para a população, leia-se eleitores.
Nesses períodos, posturas são alteradas, desparecem crenças e o que vale é a ampliação de espaços junto às comunidades, pois o que mais importa, para os políticos, é o voto.
Este é o clima neste final de ano, quando se aproxima 2018, no qual serão definidos alguns dos principais cargos eletivos. É a época de bonança que antecede a batalha, esta, sim, fica para 2018.
Como nos demais estados, o Espírito Santo vive esse clima, como pode ser claramente observado no acirramento da “guerra fria” entre duas das principais lideranças políticas capixabas: Paulo Hartung, o governador do Estado, e Luciano Rezende (PPS), prefeito da capital, ambos em segundo mandato.
É o que está acontecendo no processo de legalização de terrenos da chamada Fazenda Maruípe, de cobiçada densidade eleitoral em Vitória, e nas indefinições sobre as responsabilidades em torno da atuação da Cesan relacionadas aos esgotos do município.
É uma batalha que já deveria ter acontecido há tempoS, mas como ambos foram atingidos por “acidentes de percurso” extremamente negativos, houve o retardamento.
Do lado do governador, a greve da Polícia Militar; com Luciano, a ineficiência da gestão. Os dois líderes se harmonizam, apenas em um setor, o do funcionalismo público, cujo arrocho salarial gera amargos frutos para ambos.
Com um longo período sem reajuste em seus vencimentos, os servidores do Estado receberam um abono de Natal de R$ 1 mil. Os da prefeitura tiveram aumento do tíquete de alimentação em compensação à falta de reajuste nos vencimentos. Foi só.
Com mais espaço, Hartung abre o cofre, de forma mais intensa para os municípios do interior. Muda a postura de austeridade, e o contingenciamento de recursos anunciado exaustivamente como marca de governo desde o início de sua gestão, fica no passado. Ele se prepara para a guerra.
Assume a postura mais radical e muda a imagem com a qual chegou ao primeiro mandato, empunhando o bastão da austeridade, do ajuste fiscal rígido. Coisas que não contam no terceiro ano do mandato. Por isso, o cofre está aberto, principalmente para o interior, nocampo de batalha da mais astuta adversária, a senadora Rose de Freitas (PMDB).

