A indefinição sobre a acomodação das vagas na Mesa Diretora, do jeito que está se desenrolando, meio solta, com muitas alternativas e nenhuma solução, parece dar pistas do que será a nova gestão da Assembleia Legislativa. Sem um predador do porte de Theodorico Ferraço (DEM), a fauna no plenário tende a gerar uma batalha sangrenta por espaço.
Como não quer se contaminar com isso, o governador Paulo Hartung, mais preocupado em preparar seu próprio espaço para 2018, vai deixar os deputados se estapearem por seus espaços, desde que a disputa fique restrita a eles e não respingue nas decisões do Executivo.
O problema para Hartung em relação à Assembleia é outro. Ferraço vai para a planície magoado e lá vai encontrar um ambiente propício para destilar sua indignação. Tudo bem, que ele hoje está em viés de baixa, mas é sempre bom ter cuidado com os rompantes do demista, afinal seu grande espaço político era a Mesa Diretora e agora ele não tem mais.
No plenário ele tem livre acesso à crítica e que pode ganhar a adesão de outros insatisfeitos e barulhentos deputados, como Sérgio Majeski (PSDB), Euclério Sampaio (PDT), José Esmeraldo (PMDB) e outros mais silenciosos, como Eliana Dadalto (PTC) e Húdson Leal (PTN). O suficiente para obstruções e manobras que atrapalhariam a vida do governador.
Hartung à parte, a discussão agora está dentro do plenário e vai além do rateio dos 300 cargos da Mesa. Está em debate o destino dos próprios deputados. Na base da cadeira alimentar, eles não tem correspondido aos anseios da base e tem muita gente de olho no espaço deles, querendo seus eleitorados.
A briga será violenta, com os deputados se canibalizando em busca de poder. Essa disputa sempre existiu, mas havia uma raposa velha que evitava que animais da mesma espécie se comecem. Agora o canibalismo é livre.
Fragmentos:
1 – Para evitar arranca-rabo entre os deputados por causa das acomodações na Mesa e no rateio de cargos, Erick Musso tem optado por conversar individualmente com os colegas e fez uma verdadeira peregrinação nos gabinetes nessa terça-feira (30).
2 – Nesta discussão da Mesa Diretora e dos demais cargos da Casa, resta a pergunta sobre o que fazer com Theodorico Ferraço (DEM). Há quem acredite que o governo pode agraciá-lo com a liderança do governo para tentar fazer um afago no deputado.
3 – Se entre os deputados a disputa é por nomeação de cargos, na Assembleia, comissionados e efetivos vivem dias de apreensão por não saberem se o novo presidente vai acomodá-los. Nessa discussão também fica em foco a questão dos 11.98%, que depende muito das articulações da Mesa com os demais poderes.

