Os efeitos do caso Sandro Locutor (PROS), que gerou a mudança de comportamento do seu colega Gilsinho Lopes (PR), atrela-se ao imenso desejo do governador Paulo Hartung (PMDB) em pegar o deputado Sérgio Majeski (PSDB), que é a cereja desse bolo da tomada definitiva da Assembleia Legislativa.
À primeira vista, não se enxerga, pelo menos por ora, quem esteja disposto a um confronto com o governador. O deputado Marcelo Santos (PMDB) é bom o exemplo dessa condição. Bem antenado e influente na Casa, munido de certidão de fidelidade, Santos migrou para o bloco hartunguete, sob argumento de que nunca foi um parlamentar insuflador à moda Euclério Sampaio (PDT). Longe disso.
Por falar em Euclério, ele sempre foi e será uma incógnita permanente da Assembleia. Até porque sobrevive através dela. Quando se porta como governista, não pode tomá-lo pela fidelidade. Ele é um aprontador por natureza. Domá-lo não é tarefa fácil. Recentemente foi incumbido em liquidar o ex-governador Renato Casagrande (PSB), ao contrário da incumbência, passou a trabalhar para livrá-lo de uma trama feita especialmente para deixá-lo de fora das próximas eleições para o governo do Estado, em 2018.
Essa atual Assembleia é tão cheia de labirintos, que sedia a única bancada do Partido dos Trabalhadores que apoio um candidato adversário declarado da presidente Dilma. Seus dois deputados – José Carlos Nunes e Padre Honório – são tão o mais governistas do que os próprios governistas. Isso depois de tudo que aconteceu nos processos de impeachment na Câmara e no Senado.
Não há nessa atual Assembleia batalhas decisivas e sim como lidar com um governador que acostumou-se a impor suas vontades pelo método aterrorizante. A única alternativa por ela diz respeito a vitória ou a destruição. Passa por ai.
Embora as eleições de outubro conjuguem interesses relativamente distintos, para quem aspira continuar com o poder, caso do governador, ela é a escala para 2018, quando a maioria dos atuais deputados estaduais estará em busca da reeleição ou disposto a arriscar subir mais um degrau para a Câmara dos Deputados. Caso por exemplo do deputado Josias da Vitória, outro que, a exemplo do Marcelo Santos, migrou cedo para o bloco do governador Paulo Hartung.
É um cenário próprio para pactos, mas a que tudo indica, por razões claras de subserviência política, esses pactos que seriam naturais, acabam sendo substituído pelo arbítrio do governador, para que possa contar também com o servilismo da próxima Assembleia.

