Chamou atenção dos meios políticos, o ato falho do secretário de Segurança do Estado, André Garcia, que pressionado pela imprensa sobre a forma abrupta como o governador Paulo Hartung deixou uma coletiva de imprensa, acabou soltando a fatídica frase “É, Casagrande é mais simpático”. A fala espontânea do secretário de Segurança revela o momento de contrariedade do governador Paulo Hartung (PMDB).
É verdade que Hartung nunca foi o tipo do camarada legal, que aperta mãos, beija criança na rua, toma café em copo americano em boteco de interior. Mas o momento político contribui para aumentar essa condição. O ano de 2017 não tem sido o melhor ano da vida do governador.
Uma crise após a outra, a inegável perda de capital político e o projeto de ampliar sua imagem em nível nacional indo por água abaixo, não está fácil. Isso sem falar no problema de saúde, que fará com que ele se afaste do governo do Estado nos próximos dias. Não dá pra ser simpático desse jeito!
Parece que todo o trabalho durante a campanha eleitoral para suavizar o semblante sisudo do governador não adiantou. Naquele momento, Hartung deixou o terno, adotando a agora inseparável camisa jeans de botão. O jingle “abrace o Paulo” também humanizou o governador e deu resultado na suavização de sua imagem.
Casagrande é simpático, é verdade, mais que o Paulo. Mas, se o ano para o governador não está bom, para ele também não é essa maravilha toda. Na planície desde que deixou o governo do Estado, ele parece ser hoje o membro mais frágil do grupo que articulou como oposição no Estado.
Seu principal aliado, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), está cada vez mais distante, alçando voo solo, enquanto ele tem conseguido cada vez menos espaço. Sua simpatia não parece ser suficiente para garantir um novo enfrentamento a Hartung em 2018, se é que ele vai acontecer.
Hoje as lideranças que protagonizam a polarização do cenário político capixaba não estão muito para sorrisos. Melhor para as outras, que podem articular seus movimentos para o próximo ano, enquanto os grandes nomes se desidratam pela ação do tempo e das condições adversas da vida política.

