Em breve deverá chegar à Assembleia Legislativa para a análise do plenário as contas relativas ao exercício de 2014 do ex-governador Renato Casagrande (PSB). Aprovadas no Tribunal de Contas do Estado por unanimidade, o balanço foi questionado pelo Ministério Público de Contas (MPC), mas isso é apenas um posicionamento, uma opinião.
Na Assembleia, o julgamento será político e aí as pressões estão vindo de todos os lados, ou melhor, dos dois lados, e esse é o ponto central da discussão. Os aliados do governador Paulo Hartung (PMDB) têm uma orientação muito clara de que a Assembleia deve rejeitar as contas do socialista para deixar o caminho em 2018 livre para Hartung, independentemente de qual cargo ele venha a disputar.
Essa articulação, porém, não é tão simples como parece. Em 2003, 2004, seria, hoje não é. Desde a campanha eleitoral de 2014, o governador Paulo Hartung trava uma batalha para desidratar a imagem de seu antecessor, mas já se passaram quase um ano e meio do novo governo e Renato Casagrande sobrevive, mostrando para a classe política que, sim, é possível enfrentar Hartung e se manter vivo na política.
Uma vez escancarada a manobra de Hartung para tentar sujar a ficha de Renato Casagrande, será que os deputados estaduais vão mesmo colocar suas digitais nesse jogo? E para quem, além de Hartung, é interessante ver Renato Casagrande fora do cenário político?
O clima na CPI dos Empenhos, que seria o subterfúgio para a rejeição das contas, deixa claro o desconforto que vem da própria base palaciana. O dedo em riste dos interlocutores do Palácio Anchieta na direção dos deputados mostra o desespero governista para fazer passar sua manobra, mesmo que isso custe o que resta de dignidade do poder legislativo.
E se eliminarem Casagrande, qual trunfo terão os deputados estaduais na complicada relação com o governador Paulo Hartung? Será que os parlamentares vão mesmo pagar o preço e terá recompensa no final das contas?

