O procurador-geral de Justiça do Estado, Eder Pontes, posando de vitorioso na imprensa corporativa após o resultado da votação da PEC 37 na Câmara dos Deputados, é demais. Pois se há um lugar em que a atuação do Ministério Público é um caso à parte, aqui estamos. Desde os períodos de Fernando Zardini até a sucessão de Eder Pontes, permanece o antigo sistema da Era Hartung. Ou seja, os processos que envolvem os “peixes grandes” param sempre no mesmo lugar: gaveta. Já os demais, de menor proporção, são liberados de acordo com os interesses do momento, para tentar “limar” políticos do caminho ou consolidar jogadas semelhantes. Em ano de eleição, então, é uma “beleza”. Outro dia mesmo, o próprio Pontes engavetou inquéritos da Polícia Civil com evidências contundentes contra deputados e ex-prefeitos – muitos ligados ao ex-governador – em um esquema de cobrança indevida de tributos. Pois é, o procurador-geral que levantou bandeira e agora comemora a rejeição da redução do poder de investigação da instituição, não ofereceu qualquer denúncia no caso e ainda travou um embate com o Judiciário e delegados. Na verdade, no Estado é necessário inverter a ordem: desde quando o MPES quer exercer seu poder de investigação? Primeiro abra as gavetas. Caso à parte II
Acabou que Pontes pegou carona nesse movimento popular que ganhou corpo no país e o MPES saiu fortalecido da história. O que é um perigo, mais omissão, mais impunidade.
Pretensão
Quem também tenta pegar carona na história é o deputado estadual Da Vitória (PDT). “Hoje bem cedo, telefonei para o chefe do MPES, Eder Pontes, para parabenizá-lo em nome de todos os promotores e procuradores de Justiça”, disse ele no Twitter. Olha, não sabia que o pedetista representava a categoria. Outra coisa, eles vão comemorar juntos, na segunda-feira (1). “Imperdível”.
Pensando bem…
Da Vitória tem muito a agradecer mesmo ao Ministério Público. Cadê o caso da Operação Pixote? Quando chegou no órgão – bingo! -, parou.
Bandeira
O deputado federal César Colnago (PSDB) já dá sinais de que irá pegar carona nas manifestações para explorar a polêmica do pedágio da Terceira Ponte como bandeira de sua campanha à reeleição em 2014. O tucano foi presidente da CPI da Rosodol – 2003 e 2004 – realizada na Assembleia. Agora, diante das reivindicações dos capixabas, certamente não perderá tempo.
Versão Paraguai
Sabendo da possibilidade de o protesto desta quarta-feira (26) ter como destino a Assembleia Legislativa, a Casa “requentou” uma nota publicada anteriormente, manifestando apoio à mobilização popular e repetindo aquele papo do “compromisso contra a corrupção”. Se a ideia era fazer parecido com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Valls, passou longe.
Versão Paraguai II
Não só pelo conteúdo, mas também pelo fato de nenhum deputado – e olha que são 30 – ter mostrado disposição em receber as lideranças. Pedro Valls, sozinho, conversou com o povo.
Lamentável
O consultor em segurança Marcos Do Val, que ganha bastante dinheiro em contratos com o governo do Estado, não deveria nem ter tentado justificar, em A Gazeta, a ação do grupo liderado por ele, composto por 16 policiais militares no protesto da noite dessa segunda-feira (24), atuando em favor da Rodosol. Subestimou a inteligência da população. No mínimo.
Lamentável II
A propósito, não era Do Val que andava colado no secretário de Estado de Segurança, André Garcia, para orientar ações da pasta?
Segue…
Não sem procedência, teve gente presente no protesto que garante ter visto pessoas da própria concessionária lançando rojão e usando armas de paintball. Agora faz todo sentido.
140 toques
“A Terceira Ponte está paga”. (Deputado federal César Colnago – PSDB – no Twitter)
PENSAMENTO:
“O objeto da oratória em si não é a verdade, mas a persuasão”. Thomas Babington Macaulay

