As articulações da classe política para a disputa de 2014 vinham em um ritmo acelerado, mas houve uma manifestação no meio do caminho, que pode mudar completamente o cenário do ano que vem. Uma das mudanças mais sentidas até aqui foi a queda vertiginosa da popularidade da presidente Dilma Rousseff.
Se antes havia uma tendência de que os partidos estivessem junto com a presidente em sua campanha à reeleição, agora a coisa fica diferente. Mesmo ganhando em todas as projeções, Dilma não fecha a fatura no primeiro turno e ainda falta muito tempo para o início do processo eleitoral, o que pode mexer ainda mais no cenário eleitoral.
Outro elemento que cria expectativa para 2014 é a possibilidade de uma reforma política mexer na estrutura eleitoral já para o próximo ano. Se fala em voto avulso, voto facultativo, voto distrital e voto em lista. Todos esses elementos mudariam completamente a estrutura do que é feito hoje nas disputas proporcionais.
Por isso, as movimentações para as trocas de partido podem ser ineficazes, já que visam às coligações que ofereçam a melhor acomodação. Muita gente pode mudar de partido sem necessidade, mas é preciso trabalhar com a realidade atual, e a realidade atual é um sistema proporcional e um calendário já publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determina que as trocas de partido devem acontecer até um ano antes da disputa. Não dá para esperar muito.
Para piorar a situação, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pelo governo do Estado contra a redução das vagas na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas adormece no Supremo Tribunal Federal (STF) e a última movimentação foi do dia 5 de junho.
Então não se sabe se teremos nove ou 10 vagas de deputado federal, se teremos 30 ou 27 vagas de deputado estadual. A conta que já é complicada, fica ainda mais com o aumento do quociente eleitoral.
Enfim, as movimentações intensas do primeiro semestre podem ter sido um esforço inútil, já que o segundo semestre parece ser de expectativa. A esperança da classe política é de que, com o fim da Copa das Confederações, a temperatura da rua abaixe e as coisas voltem ao ritmo anterior. Mas será que isso é possível?
Fragmentos:
1 – A greve geral marcada para a manhã desta segunda-feira (1) foi furada, vamos ver se a movimentação marcada pelas centrais sindicais para o próximo dia 11 vai vingar.
2 – No calor dos protestos, movimento sindical, assim como os partidos políticos, foi rejeitado pela população. Mas, aparentemente, há uma apuração das manifestações, o que pode abrir caminho para uma retomada de espaço, perdido pelo movimento sindical.
3 – Os protestos deixam de ocupar apenas as vias urbanas, as estradas que cortam o Espírito Santo registram, desde o início da manhã, filas quilométricas.

