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Terça, 01 Dezembro 2020

Cenas de cinema

 

O chamado movimento estético pós-moderno no qual a fotografia se insere de maneira decisiva, tem sido avaliado pelo ponto de vista estratégico para se firmar, principalmente no mercado, estabelecendo novos parâmetros estéticos. Passa, entre outras características, pela opção de transformar tais valores estéticos em entretenimento.
 
Como consequência, é um movimento voltado para o mercado, por ser capaz de gerar lucros. Seguindo esses padrões, os museus ao redor do mundo passam a abrigar exposições pouco convencionais, como de vestidos de noivas e de artistas famosas capazes de atrair bom público e muito dinheiro.
 
Os salões do tipo Bienal de São Paulo estão cada vez mais sendo engolidos pelos feirões do tipo Basel Art, onde compradores são disputados ferozmente por galeristas e marchants. O cinema é onde essa estética se mostra mais claramente perceptível. A renda semanal do filme é medida com precisão matemática, para determinar por quanto tempo o filme vai permanecer em cartaz.
 
É a estética conservadora do politicamente correto, que abomina a rebeldia dos movimentos anteriores. Repudia o sexo, substituindo-o pela violência pirotécnica em 3D, mais simples de ser compreendida, proporcionando um retorno rápido e lucrativo.
 
O problema desse modelo estético é uma cruel insatisfação, pois existe a constante necessidade do próximo lançamento, da próxima grande novidade. Uma obesidade intelectual insaciável que confunde o real com o virtual; banaliza a violência e a coloca sentada ao nosso lado dentro de nossas salas.
 
Não existe nada mais simples de ser entendido que a violência, ela é parte de nosso DNA, não exige nenhum esforço mental. A violência domina os noticiários atuais, domina o cinema, e também está presente na arte.
 
O grande problema é quando surge alguém incapaz de distinguir o real do virtual, e incapaz de receber ou dar amor, que repudia o sexo e resolve lavar uma sala de projeção com sangue, tal como numa cena de um filme pós-moderno.
 
A imagem da semana é Juscelino Kubitschek se protegendo da chuva. Belo Horizonte, 1952, do fotógrafo Rodolfo Rocha, do Jornal Tribuna de Minas.

 
 
 
Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: [email protected]

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