Segunda, 27 Setembro 2021

Cercando território

 

Muitos números ainda podem surgir, mas a segunda parcial das doações de campanha aos candidatos da eleição deste ano no Estado já revela a presença da sempre líder em molhar a mão dos políticos e depois ser altamente recompensada, a empresa Aracruz Celulose (Fibria). Com seu centro financeiro transferido para São Paulo, a previsão era de que os valores fossem tímidos, assim como o número de candidatos “adotados”, o que até agora se confirma. Por enquanto, a Aracruz já ajudou a eleger Audifax Barcelos na Serra e Claumir Zamprogno em Santa Teresa, e a reeleger Amadeu Boroto em São Mateus, todos do PSB. Já perdeu um soldado em Vila Velha, o ex-prefeito Max Filho (PSDB), mas ainda se mantém viva com Rodney Miranda (DEM), e está no segundo turno em Vitória, com Luciano Rezende (PPS) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB). Todos receberam R$ 50 mil da poluidora, quantia que ainda pode se multiplicar. A velha prática adotada pela Aracruz é um cala-te boca na classe política do Estado. E funciona muitíssimo bem. Uma mão lava a outra. 
 
 
Durou nada
Chama atenção em especial o caso de Audifax. O deputado federal que a partir do próximo ano assume a prefeitura da Serra foi o único da bancada capixaba a votar contra os interesses da Aracruz e dos ruralistas durante a tramitação do novo Código Florestal. Recebeu elogios por isso. Mas já se rendeu. 
 
Mesmo barco
No seu lugar na Câmara vai ficar o megaempresário Camilo Cola (PMDB), que não causa qualquer incômodo aos projetos poluidores. Vai fazer as honras da casa. 
 
Fecha junto
Já Amadeu Boroto é conhecido por seus atos contrários aos interesses dos quilombolas em São Mateus, na luta pela recuperação do território ocupado e explorado pela Aracruz. Mais ainda, por suas ligações com o Movimento Paz no Campo (MPC), criado por grandes proprietários de terras no norte do Estado, para acabar com os processos de reconhecimento das terras tradicionais. Reza a mesma cartilha da Aracruz, e não é de hoje. 
 
Fecha junto II
Interessante é que a empresa que é acostumada a só apostar em candidatos com chances de vitória, surpreendeu ao financiar, no mesmo valor, a campanha do candidato derrotado no município, o ex-deputado estadual Paulo Roberto. Mas tem motivo. Trata-se de uma outra “paga” pelos serviços prestados por ele quando estava na Assembleia e liderou campanha também em favor do MPC e contra os quilombolas. A empresa já havia ajudado Paulo Roberto antes. Ele entrou para o Legislativo com o maior valor recebido por ela entre os deputados, R$ 110 mil.
 
Fecha junto III
O que se repetiu em Aracruz, onde a empresa tem sua sede. O vice-prefeito Jones Cavaglieri (PSB) não tinha a menor chance de bater seu adversário, o deputado estadual Marcelo Coelho (PMDB), mas foi agraciado. Jones é parceiro de longa data da empresa e quando assumiu o município interinamente andou mexendo uns pauzinhos na direção dos interesses empresariais. Por isso, a Aracruz até aumentou o valor da doação, em comparação com outras tentativas eleitorais frustradas de Cavaglieri. 
 
Fecha junto IV
A graça no município de Santa Teresa igualmente tem objetivo certeiro. Depois de não ter mais para onde se expandir com suas plantações de eucalipto no norte e noroeste do Estado, a empresa partiu para a região sul e serrana, onde encontrou amplo apoio dos prefeitos. O campo continuará favorável com Claumir Zamprogno. 
 
Repeteco
Sobre a disputa em Vitória, Luiz Paulo é parceiro antigo da empresa e já protagonizou episódios públicos de ataque a índios, quilombolas e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em sua campanha ao governo em 2010, ele levou R$ 180 mil da Aracruz. Já Luciano Rezende (PPS), na disputa à Assembleia, ficou com R$ 30 mil. 
 
Fechou o cofre
No bolo total, a empresa investiu R$ 400 mil na eleição no Estado, até agora. No país, R$ 845 mil, bem menos do que na última eleição somente no Estado, quando a empresa compareceu com R$ 1.570.000,00, em campanhas de 26 candidatos. Se vem mais coisa por ai, é o que veremos.
 
140 toques
“A coisa está feia: criação de empregos formais caiu 28% entre setembro de 2012 e 2011. É preciso mais investimentos públicos e privados para aquecer a economia”. (Senador Ricardo Ferraço – PMDB – no Twitter).
 
PENSAMENTO:
“Deus não está ao lado dos maiores batalhões, mas de quem atira melhor”. Voltaire 

Veja mais notícias sobre Colunas.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Segunda, 27 Setembro 2021

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/