O cinema se torna cada vez mais um aliado na quebra do estigma social imposto aos LGBTs, uma visibilidade que supera a mera a simples identificação da orientação sexual, apontando caminhos e desafiando a falsa moral cristã fundamentalista, que insiste em condenar comportamentos, empurrando a todos para a vala comum do preconceito e da segregação.
O cinema sempre foi o arauto das novas eras, servindo como um catalisador de emoções, anunciando as mudanças evolutivas da sociedade. É claro que falo do bom cinema, se é que existe o mau cinema, mas um cinema que prima em tirar os véus do moralismo arrogante que acuado pelo novo, ergue muralhas na vã tentativa de impedir o jovem sol de nascer.
Contando histórias com uma linguagem plural e ao mesmo tempo única, grandes diretores propõem o debate e se imortalizaram em obras onde a psique humana era dissecada em personagens. Mesmo no contraste dos vários estilos, a homossexualidade, quando abordada, é a metáfora num jogo de portas abertas e fechadas, mas com janelas sempre ao alcance da liberdade.
Não cabe agora citar as obras. Mas artistas cada vez mais se esmeram no tema. Buscando na sétima arte revelar a plateia numa identificação perigosa. Recentemente um filme brasileiro com o ator Wagner Moura, Praia do Futuro, mostrou essa identificação. Incomodados por se perceberem retratados, ou por se defrontarem com o próprio preconceito, muitos espectadores se retiraram da sala, autenticando assim o bom trabalho da equipe comandada pelo diretor Karim Aïnouz, que conseguiu apagar a presença do capitão Nascimento (Tropa de Elite), fortalecendo a recepção da plateia no melhor estilo ame ou odeie. Isso é cinema!.
Mesmo ( muitas vezes) sem a militância LGBT, mas responsáveis por construir uma sociedade igualitária, esses artistas se esforçam para em metáforas para transmitir o humano mais oculto. Infelizmente surge também outra versão do preconceito, salas se negam a exibir filmes com essa temática aberta, a própria distribuição se encarrega, muitas das vezes, de dificultar esse acesso.
Aqui em Vitória vale lembrar o grande esforço do ES Cineclube da Diversidade, que vem promovendo sessões e debates, chegando mesmo a lugares onde o cinema é desconhecido quanto difusor de novas ideias. Agora o cineclube ES Diversidade ensaia os primeiros passos na produção, o que certamente vai inspirar novos realizadores.
Também contamos com as duas salas do cine Jardins – Jardim da Penha – que tem se mostrado sensível à produções fora do circuito comercial, privilegiando o cinema autoral e com temática na diversidade sexual. Uma iniciativa que merece total apoio. Enquanto isso aguardamos o renascimento do cine Metropolis na UFES..
A dica esta dada, e agora é só ficar atento para a programação. Se deixe levar pela telona e no escurinho do cinema é sempre interessante estar bem acompanhado. Se não… Vasculhe a internet sempre aparece um bom filme do gênero.
Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

