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Coisas da democracia

Com a ascensão de Lula à Presidência da República e de Paulo Hartung (PMDB) para o governo do Estado, estabeleceu-se duas modalidades de relação política. Em nível nacional, passou o governo a defender a coalizão e, no Estado, a unanimidade. Lula garantia a união dos partidos com sua popularidade e Hartung com a ponta da bota. 
 
Em seus dois mandatos, Hartung conseguiu estabelecer um sistema que enfraqueceu os partidos, fortaleceu a política de grupo e anulou a oposição no Estado. Neste mesmo sistema elegeu seu sucessor, tendo 16 partidos na base de Renato Casagrande. 
 
Ao tomar posse, Casagrande mudou o perfil de relação com a classe política. Embora brigue também pela manutenção da unanimidade, o socialista adota uma relação horizontal com as lideranças. Há perdas e ganhos na abertura política promovida por Casagrande. Ao mesmo tempo em que alivia a pressão sobre a classe política, deixa de presentear os aliados com atendimento das bases, uma prática do governador anterior. 
 
O fim da unanimidade é um desejo nos meios políticos. A democracia ficou muito prejudicada com essa forma de relação política. Mas traz preocupação o fato de o fim da relação ter sido provocada por quem a criou. De qualquer forma, é uma realidade no cenário político deste ano. 
 
Com a possibilidade de haver pelo menos dois palanques eleitorais na disputa pelo governo do Estado este ano, uma nova realidade se coloca para a classe política. É hora de se dividir, de fazer escolhas. E aí o enfraquecimento dos partidos se mostra de forma mais evidente. Os conflitos internos são inevitáveis na busca de acomodação, ainda mais em uma eleição que se mostra difícil não só na majoritária, como também na proporcional. 
 
É um novo passo em direção ao restabelecimento de uma democracia plena no Espírito Santo. O que não pode é quem defende hoje o fim da unanimidade, em vencendo o pleito, mudar novamente de ideia, acabar com o contraditório, submeter os poderes e sufocar o processo democrático. 
 
Fragmentos:
 
1 – Nada de descansar. As lideranças políticas aproveitaram o feriadão para circular pelo Estado e testar o capital político. Uma preparação para o que vem pela frente. A expectativa é de que os candidatos este ano gastem muita sola de sapato.
 
2 – Engraçada essa mudança de postura de parte da classe política. Gente que até pouco tempo atrás defendia com unhas e dentes a unanimidade, agora fala que isso não serve mais. 
 
3 – Com a divulgação do resultado da auditoria no contrato da Rodosol, o clima na Assembleia Legislativa deve esquentar nos próximos dias. 

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