Aquela fórmula defensiva feita em Colatina para enfrentar Guerino Balestrassi (PSDB), que reúne Marcelino Fraga (PMDB), Da Vitória (PDT), Paulo Foletto (PSB) e agregados, pode não se sustentar diante da possibilidade de Guerino desistir de concorrer à prefeitura de Colatina.
Guerino sofreu duas grandes baixas: a saída de circulação do bispo Dom Décio Zandonade e os fracassos acumulados pela gestão Leonardo Batata (PT) à frente da prefeitura. Principalmente o Batata, enrolado em casos de corrupção. A condição de secretário de Ciência e Tecnologia do governo do Estado também não pode ser usada como um trunfo. Ele está à frente de uma secretaria vazia, cujos os cargos em comissão não foram ocupados por sua escolha.
O que tira o propósito, em tese, da trinca que reunia Marcelino, Foletto e Dá Vitória. Expõe também a inviabilidade de uma convivência de Foletto com Da Vitória: ambos desejam a mesma coisa: a Câmara dos Deputados. A não ser que o Foletto abra mão da reeleição para disputar a prefeitura.
Como Da Vitória é hoje um soldado de Paulo Hartung na Assembleia, se for o caso ele pode muito bem jogar a boia para Guerino retornar à disputa. É só PH querer. Escala, e ele vai para o Guerino a galope. Pois o esquema da eleição de Da Vitória para deputado federal, que é grande, só se sustenta se PH não meter a colher.
Evidente que o PT tem condição de lançar o atual presidente estadual do partido, Genivaldo Liévori. Ao contrário de Leonardo, Liévori é um nome limpo, como tal, razoável para o momento petista. Além de ser um nome fortemente ligado à Igreja Católica. O problema vai ser realmente não deixar o Batata se aproximar dele. Se encostar, enlameia.
Substituiria a candidatura do Guerino? Não seria o melhor caminho. Queima. Pois nos dois mandatos do atual prefeito a equipe sempre foi compartilhada de quadros do petista e do tucano. São velhos parceiros políticos apesar do antagonismo nacional de seus partidos.
Caso Foletto não entre na corrida à prefeitura, vai cair no colo do ex-deputado Marcelino Fraga, que vai adorar a notícia. Além de Marcelino o PMDB ainda tem em seus quadros outro nome capacitado para a disputa: o vereador Serginho Meneghelli. Em qualquer pesquisa em Colatina ele sempre aparece bem.
Correndo por fora está o jovem vereador Renzo Vasconcellos (PPS), neto do ex-prefeito Pergentino Vasconcellos, fundador da União de Educação e Cultura Gildásio Amados, uma das instituições de ensino mais tradicionais da cidade.
Renzo vem embalado para entrar na disputa. Como não tem nada a perder e, de quebra, ainda conta com o currículo do avô, não deixa de ser um nome a se considerar.
Pergentino ainda tem muito lastro político em Colatina. Foi uma das maiores lideranças conservadoras do município. Ele é ainda da época do Integralismo Brasileiro, que viveu seu auge nos anos de 1930. O Integralismo defendia uma forma de governo baseada na ligação do Estado com a família, a partir de princípios éticos, religiosos e morais para os homens.

