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Com Miriam

Em uma das suas mais recentes colunas (O Globo), a jornalista Miriam Leitão, em resposta aos ataques que recebeu no Wikipédia, foi obrigada a fazer menção de sua história, parte da qual se passou aqui, em território capixaba, registrando sua demissão no jornal A Tribuna, por ordem do governador biônico Elcio Alvares, que exerce atualmente mandato de deputado estadual pelo DEM.
 
Ela também perdeu a editoria que ocupava no jornal A Gazeta. Mas aí a censura foi outra. Era matéria de grande relevância que implicava poderosos do Espírito Santo. Por ter tido militância em organização de esquerda (PCdoB), Miriam sofria dupla discriminação: política e seu apego ao fato jornalístico. Sempre foi difícil por aqui derrubar uma matéria dela.
 
Não só pela qualidade do texto, como pela lisura da apuração. Miriam sofria do mal de ser de esquerda e ter pertencido a uma organização que combatia a ditadura militar. Não era vista por sua qualidade profissional. 
 
Como velho jornalista, testemunhei a entrada da Miriam no jornalismo. Foi no jornal O Diário, dos anos 60. Ela veio de Carangola (MG) para fazer faculdade em Vitória. Via aquela figura jovem, rebelde, muito atraente, por sinal, chegando a uma redação de jornal. Esse jornal, O Diário, era uma espécie de academia do jornalismo capixaba. Formou uma geração de jornalista. Em O Globo, além da Miriam, tem o José Casado, que também foi feito nesse jornal. 
 
Assisti às suas dúvidas entre o jornalismo ou fazer a revolução comunista. Mas via que ela fazia bem as duas coisas. No jornalismo, era repórter em construção, que dependia de um bom acabamento em centros maiores, como veio realmente a ocorrer. Que é essa Miriam Leitão de hoje. A tirania nunca a abateu. Nem as das redações e muito menos quando ela assumiu a condição de revolucionária. Nos períodos de cadeia, ela encarava os torturadores. Era ainda quem animava os companheiros para não esmorecer diante da barbárie dos militares. 
 
O Espírito Santo testemunha a favor de Miriam Leitão.

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