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Como será o amanhã?

A bomba com a delação dos irmãos JBS que atingiu o coração do Palácio do Planalto aumentou a insegurança política no País e coloca um ponto de interrogação ainda maior para o processo eleitoral de 2018. Não há como dissociar o cenário do Espírito Santo da política nacional, que vai ser determinante para a disputa do próximo ano. Por isso, se em nível nacional a visão do futuro é turva, no Estado a coisa não é diferente.

Quando a classe política assiste ao governador do Estado se licenciar para dar continuidade a um tratamento médico e depois descobre que foi passar uns dias na Europa, ainda mais na França, que não é nem uma vitrine da área médica, a coisa fica complicada. Complica mais porque Paulo Hartung viajou e enviou seu vice para que ele cumprisse sua obrigação constitucional de prestar contas à Assembleia.

A crise em Brasília travou a pauta do Congresso e, além das reformas trabalhistas, se discute também no legislativo a reforma política, ou melhor, mais um remendo na legislação eleitoral para o processo de 2018. Tanto as regras eleitorais, como as lideranças que estarão em condições para disputar no próximo ano, ainda são dúvida, o que pode perdurar até o fim de 2017 e adentrar 2018.

Haverá janela eleitoral em março? Quem vai mudar de partido? Quem vai estar com a ficha limpa até outubro do próximo ano para poder disputar? Como será a movimentação das lideranças para compor as legendas partidárias para a eleição proporcional? Há quem duvide até se haverá eleição.

Em nível nacional, o PSDB parece ter perdido uma de suas apostas nesse processo. O senador Aécio Neves foi atingido mortalmente pela delação. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está na lista de denunciados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao lado do governador Paulo Hartung (PMDB), diga-se de passagem.

Quanto a Hartung, que insiste em entrar no PSDB, nem que seja arrombando a porta, vai ter condições até lá para disputar a eleição? Ele vem tentando se erguer, mas sua situação é delicada. Denunciado pela Procuradoria Geral da República, ainda convivendo com o desgaste da crise da segurança pública, sua imagem sofreu uma séria avaria.

No momento em que as lideranças políticas estão em descrédito com a população e a coisa só piora, o governador não vai mais conseguir convencer seu eleitorado de sua blindagem. Há um desapontamento geral e Hartung não escapa disso. E a viagem à Europa em meio a um turbilhão de acontecimentos não ajuda em nada na recuperação de sua imagem. Só aumenta a sensação de que o governador não resiste a um enfrentamento. Se não teve condição de enfrentar um opositor na Assembleia, como Hartung vai rebater seus adversários durante a campanha eleitoral?

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