Ao definir como meta a conquista do comando estadual do PSDB, César Colnago passou a enfrentar resistências dentro e fora do partido. Internamente, o vice-governador tem a missão de convencer os colegas tucanos que o associam a um vassalo do governador Paulo Hartung (PMDB). Essa ala defende que o partido mantenha certa distância do Palácio Anchieta. Esses tucanos entendem que o prefeito de Vila Velha Max Filho teria o perfil desejável para tornar o PSDB mais independente para empreender uma estratégia política próprio em 2018 e não um apêndice do projeto do governador.
Se internamente o desafio continua sendo grande para Colnago, fora, ele precisava, primeiramente, da liberação do Conselho de Ética do Estado para se viabilizar como candidato. A consulta ao Conselho esclareceria se o tucano poderia acumular as funções de vice-governador e presidente estadual da legenda.
É a partir dessa consulta que o Conselho de Ética começou a patinar, justamente, na ética. Primeiro, houve uma pressão dos apoiadores de Colnago para que o Conselho apreciasse a demanda antes do dia 11 de novembro, data prevista para a escolha do novo diretório estadual do PSDB. Ante a pressão, o Conselho aceitou antecipar a consulta. Mesmo porque, a indefinição, naturalmente, reduziria as chances de Colnago.
Até aí, tudo bem. As vulnerabilidades do Conselho ficaram evidentes na consulta em si. Na primeira reunião para deliberar sobre o caso Colnago, estranhamente, não houve decisão. Nos bastidores circulou a informação de que, ante o voto da relatora Flávia Marquezini, desfavorável a Colnago, a conselheira Maria Ivonete Bezerra de Sá Thiebault pediu vista. O pedido foi interpretado como uma manobra desesperada para evitar a derrota iminente de Colnago. Naquele momento, os conselheiros Carlos Salomão Pereira Silva e Elizabeth Mario Klippel Amâncio Pereira votariam com a relatora. A favor de Colnago, só estaria Maria Ivonete, já que o presidente, Jovacy Peter Filho, só votaria em caso de empate. O conselheiro Edebrande Cavalieri estava fora do Estado, a trabalho, mas enviara o voto por escrito, também entendendo que havia conflito entre as funções de vice e presidente partidário.
Em nova reunião, na última sexta (20), o Conselho faria uma votação na contramão da ética. Maria Ivonete, que é subsecretária de Estado de Interlocução Institucional da Secretaria de Governo, manteve o voto a favor de Colnago. Elizabeth Klippel, que estava inclinada a votar com a relatora, decidiu mudar seu voto. Só para registro, a conselheira é auditora de Controle Externo no Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES).
O presidente do Conselho, sem consultar os demais conselheiros e tampouco justificar sua decisão, decidiu, da sua cabeça, que não consideraria o voto por escrito de Cavalieri. A decisão de Jovacy mudou completamente o resultado da votação. Marquezini e Salomão mantiveram o entendimento de que havia conflito. De outro lado, Maria Ivonete e Elizabeth Klippel defenderam que não havia óbice em Colnago acumular as funções. Com o empate, depois de descartar o voto de Cavalieri, Jovacy deu o voto de minerva, desempatando a contenda a favor do vice-governador.
A falta de ética do Conselho chamou a atenção da Transparência Capixaba. Por meio de um manifesto, a entidade aponta que houve “conflitos e atropelos que macularam a decisão”. A entidade está coberta de razão. O Conselho escorregou na ética. Ante as distorções. a Transparência pede que o Conselho reavalie o caso Colnago.
O PSDB e Colnago não podem ser responsabilizados pela maneira como o Conselho conduziu a consulta e tomou a decisão favorável ao vice. Como afirmou o presidente estadual da sigla, Jarbas de Assis, quem tem de explicar a decisão é o Conselho e não o partido.
O encaminhamento do caso, porém, permite supor que o Conselho de Ética sofreu ingerência do Palácio Anchieta. Não é segredo para ninguém que o governador Paulo Hartung quer Colnago no comando do partido. A decisão pouco transparente sugere que o Conselho deixou a ética de lado para analisar o caso sob o viés da política.

