Em entrevista ao jornal A Gazeta (24/08), os candidatos ao governo fizeram suas conjecturas sobre o tema segurança pública. Aviaram, com certa facilidade, a receita do remédio que pode conter os altos índices de homicídios no Estado: as políticas preventivas.
Renato Casagrande (PSB), Paulo Hartung (PMDB), Camila Valadão (Psol) e Roberto Carlos (PT) – deixaram o candidato do PCB, Mauro Ribeiro de fora – concordaram que a prevenção pode ser a grande aliada da política de segurança para tirar o Espírito Santo da incômoda posição de segundo Estado mais violento do país há mais de uma década.
Tirando Camila e Roberto Carlos, que nunca assumiram o manche do Estado, Hartung e Casagrande já tiveram oportunidade de pôr em prática as tais políticas preventivas que eles tratam como “salvadoras”, mas fracassaram. Basta olhar para os números de homicídios dos dois governos.
De acordo com o Mapa da Violência, durante os dois mandatos do governo Hartung (2003 – 2010) foram assassinadas no Estado mais de 14.300 pessoas — uma média de 1.788 homicídios por ano. No governo Casagrande, de janeiro de 2011 a julho de 2014, 5.777 pessoas perderam suas vidas para o crime — uma média de 1.661 homicídios/ano – resultado um pouco melhor do que do antecessor, mas muito longe do aceitável.
Os números mostram que nenhum dos dois tratou das políticas preventivas com o ímpeto presente nos discursos. Quem duvida da frieza dos números pode fazer uma imersão pelas periferias para constatar, a olho nu, que crime organizado continua sendo mais presente que o Estado. Resultado: a cada dia a criminalidade alicia com mais facilmente os jovens para seus exércitos de narcotraficantes.
Se houve um que se saiu menos pior, podemos dizer que Casagrande mostrou alguma evolução na política de Segurança em relação a Hartung. O socialista conseguiu, ao menos, criar um programa de Segurança, o Estado Presente. É ainda uma ação repleta de falhas e pouco efetiva para evitar que o jovem seja seduzido pelo crime organizado, mas, pelo menos, já é um começo.
Já o governo Hartung, em termos de políticas preventivas, foi nulo. Na entrevista, o ex-governador disse um monte de cascata para tentar convencer a população que seu governo trabalhou duro para combater o crime.
Vamos pegar as afirmações mais grosseiras para desmontar o discurso do peemedebista. Hartung teve a coragem de dizer que seu governo fortaleceu as ações preventivas e de ressocialização de presos. Na verdade, o ex-governador levou o Estado Brasileiro à ONU. O então governador ficou conhecido como “senhor das masmorras” perante as comunidades internacionais, tamanha as atrocidades que ocorreram no seu governo no sistema prisional. As violações da Era Hartung deixaram um rastro de mortes, de presos sequelados e de famílias devastadas. Isso é a ressocialização exemplar de Hartung?
O ex-governador acrescenta ainda que organizou o sistema de segurança. Organizou? Trazendo para o Estado um delegado federal que assumiu a Secretaria de Segurança para se promover. O então secretário Rodney Miranda (atual prefeito de Vila Velha pelo DEM) teve um desempenho pífio à frente da pasta, mas tal qual Hartung, que ganhou uma alcunha pelos horrores ocorridos no sistema prisional, o delegado federal se notabilizou como o “Rambo” da Segurança, devido às ações midiáticas que costumava promover nas periferias. Muito barulho e pouco resultado. De quebra, ainda arriscou uma carreira de escritor. Publicou o livro Espírito Santo para consolidar a farsa de que ele e o ex-governador puseram fim ao crime organizado no Estado. O desenvolvimento da inteligência da polícia, festejada por Hartung, se resumia aos grampos ilegais comandados pelo então secretário. O Guardião (sistema de escultas) transformou o Espírito Santo no “reino da grampolândia”
Voltando às políticas preventivas, Roberto Carlos e Camila, que ainda não foram testados, podem prometer e apostar na prevenção como uma importante ferramenta para enfrentar a violência. Casagrande já não tem esse crédito. Precisará tornar o seu Estado Presente muito mais presente antes de começar a propagandear por aí que já encontrou a fórmula mágica para frear a violência. O caso de Hartung é mais complicado. O ex-governador, em oito anos, abandonou a Segurança Pública à própria sorte. Assistiu passível a morte de mais 14 mil pessoas e deixou o sistema prisional se transformar num verdadeiro matadouro. Qualquer promessa que parta do candidato do PMDB para a área de segurança deve ser vista com desconfiança.

