Nessa quinta-feira os americanos – e quem mais vive nesse país – comemoram o Dia de Ação de Graças, para agradecer as muitas bênçãos com que foram prodigalizados. Só os perus não agradecem. Nesse dia amigos e familiares se reúnem em volta de uma boa mesa, geralmente um almoço, onde não pode faltar o peru assado com molho de cramberry, batata doce e vagem, torta de abóbora e de maçã na sobremesa. O menu pode variar, mas esse é o tradicional.
Agradecer, seja a Deus ou aos humanos, além de ser uma obrigação, traz mais benefícios para quem agradece do que para quem recebe o agradecimento. Estudo recente demonstrou que agradecer faz bem para a saúde física e mental. Ou seja, um simples muito-obrigado tem um efeito cumulativo que com o passar do tempo nos torna mais felizes. O estudo sugere que se mantenha um diário, anotando todos os dias pelo menos uma coisa pela qual devemos ser gratos.
Eu sei, já escrevemos demais em mensagens de texto, emails, Facebook, Twitter, WhatsApp e que mais inventem. Mas também seria uma boa ideia passar uma mensagem de agradecimento diária, que talvez gere uma reação em cadeia – seus correligionários passarão adiante ou criarão outras mensagens positivas que, tal como a sua, vai incentivar outras. Já não se diz que de grão em grão o peru vai pro fogão?
Procurar o que agradecer cria um hábito positivo, que vai direcionar seu pensamento para coisas agradáveis. Concentrando nos bons eventos ao invés de ficar ruminando os maus momentos, nos faz mais felizes. Por exemplo, ao invés de ficar se remoendo por causa do mau-caráter que tomou sua vaga no estacionamento do shopping, pense na pessoa que você não via há anos, e encontrou apenas por causa desse transtorno. O mal às vezes vem para o bem.
O ato de agradecer faz bem para o corpo e a alma. Fisicamente, demonstrar gratidão educa seu cérebro para bloquear pensamentos negativos, que envenenam o organismo. Dizem que Shakespeare disse, Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que essa pessoa morra. Demonstrando gratidão pelas coisas boas que nos acontecem constantemente nos prepara para lidar melhor com as situações difíceis que não podemos evitar.
Portanto, os americanos estão certos. Mais de 200 anos depois do primeiro Thanksgiving, em 1621, Lincoln declarou a última quinta-feira de novembro como um dia oficial de dar graças, mas não um feriado. Sarah Josepha Hale, uma influente editora de uma grande revista, fooi quem primeiro teve a ideia, e deslanchou uma extenuante campanha de quase 40 anos, para transformar a data em feriado nacional.
Sarah escreveu, “O Thanksgiving, tal como o dia da Indenpendência, deve ser considerado um festival nacional, comemorado por todo o povo”. Venceu pelo cansaço, e em 1941, o Congresso criou a lei transformando a data oficialmente um feriado nacional. Essa mesma Sarah compôs a famosa cantiga de ninar, “Mary tinha uma pequena ovelha”.
O que temos nós para agradecer nessa quinta-feira? Apesar dos obstáculos postos no caminho, ainda estamos vivos; apesar dos desgovernos, o país não saiu do mapa; apesar da poluição, ainda temos o céu azul e o mar ainda está pra peixe, embora os rios… Eu agradeço por você ler minha coluna.

