Depois da intensa movimentação dos últimos dias de campanha pela eleição do PSDB capixaba, é hora de sentar e contabilizar os ganhos e perdas dos dois lados. Há contas a pagar tanto para quem ganhou como para quem perdeu. É claro que os boletos de Colnago já estão sobre a mesa.
Assunto que rendeu até tapa na cara durante a eleição de sábado (11), a movimentação da máquina foi inegável. A filiação de Octaciano Neto, secretário de Agricultura, e de Enio Bergoli, diretor do DER, ajudaram na captação dos votos especialmente no interior. Em troca, muita gente recebeu a visita de representantes do governo do Estado, do vice-governador ou do próprio Paulo Hartung.
Mas há quem diga que muita coisa ainda precisa ser paga, o que pode complicar a articulação interna. O apoio pode ser cobrado pelos prefeitos, vereadores e outras lideranças do partido. Não se pode dizer que Colnago teve uma vitória maiúscula, categórica. Ele vai lidar com um diretório dividido. Então a pergunta é: até que ponto essa vitória vai lhe garantir o controle integral do PSDB?
A movimentação também traz vantagens. Se tudo der certo, Hartung se desincompatibiliza em abril, entrega o bastão a Colnago, que poderá disputar o governo. Com o partido na mão, será mais fácil para o tucano se capitalizar, construindo as alianças de que precisa. O desafio, porém, é unificar o partido.
Do outro lado está o deputado Sergio Majeski, que não tem saída. Ao que tudo indica, terá mesmo que deixar a sigla. O PSDB de Colnago não tem lugar para ele e o deputado também não demonstra qualquer interesse em ficar no ninho sob nova direção. Mas seria importante marcar a posição agora, de imediato. Se esperar até a abertura da janela corre o risco de acabar identificado com a política partidária ou sofrer um processo de desgaste interno que pode deteriorar sua imagem.
A preocupação com a fidelidade é desnecessária, afinal, se o partido tentar tomar o mandado do deputado, só vai colocar fermento em sua imagem com o eleitorado. Majeski pode sair ganhando disso, mas precisa agir logo.
Voltando a Colnago, sua ascensão à presidência do PSDB e provável gestão à frente do governo pode encorajar as lideranças que ainda hesitavam diante da possibilidade de enfrentar Hartung e sua polida vitrine. Com Colnago, o jogo pode ficar mais aberto. Já Max Filho pode tentar refazer sua ligação com Colnago e se colocar na fila sucessória para 2022.
Fragmentos:
1 – Na convenção estadual do PSDB nesse sábado (11), além de ver sua chapa perder a disputa pelo comando do partido, por 12 votos, o deputado estadual Sergio Majeski saiu do Cerimonial Oasis, em Santa Lúcia, sem seu guarda-chuva.
2 – Entre as lideranças do PSDB que vieram do interior, a interminável reunião para a tentativa de acordo sobre a executiva tinha um toque a mais de desespero. É que a maioria é acostumada a almoçar por volta das 11 horas e lá se iam mais de 14 horas sem acordo e sem comida.
3 – O novo vice-presidente do PSDB, Paulo Ruy Carnelli, fez parte da executiva anterior e compareceu a apenas uma reunião do colegiado. Será que agora ele vai frequentar mais o partido?

