
No quarto dia sem policiamento nas ruas do Estado, a pergunta que não quer calar: para qual lado essa corda irá arrebentar primeiro? A Polícia Militar, com sua pauta justa e necessária, virou alvo de revolta popular, resultado do prolongamento da crise e dos números assustadores de mortos, assaltos, saques e etc! Se antes já não era fácil debater as reivindicações da categoria com a sociedade, agora piorou! Erro de estratégia? Poderia ter encerrado o movimento antes, com discurso voltado para a proteção dos capixabas e críticas ao governo Paulo Hartung, deixando o desgaste apenas para a atual gestão? São alguns pontos levantados nos bastidores. Por outro lado, o governo, principal responsável pela situação ter chegado a este ponto, se aproveita dessa insatisfação para criminalizar a “greve branca” dos PMs. Em um cenário de caos, conquista cada vez mais adeptos, embora isso não seja suficiente para que consiga sair ileso dessa guerra sangrenta. Pelo contrário, as insistentes negativas em sentar-se não só com esta categoria, mas com todo o funcionalismo público, é um expediente inadmissível e que reflete bem o autoritarismo praticado pelo governador. Se o diálogo fosse prioridade da gestão estadual, o que poderia ter sido evitado até agora? Por que tanta demora em tomar providências? A corda, como se vê, esticou demais para os dois lados. Logo arrebenta de vez!
Impressionante
Não tem como dormir com essse barulho: de sábado até esta terça-feira, 75 mortos no Espírito Santo.
Luto
A propósito, aconteceu na tarde desta terça-feira (7), no cemitério Parque da Paz, em Cariacica, o sepultamento de Almir Chrizostomo, irmão da vereadora de Cariacica Ilma Chrizostomo (PSDB). Ele foi uma das vítimas da violência desse fim de semana.
Os negociadores
Os deputados estaduais se reuniram nesta terça-feira para propor negociação com os manifestantes. Mas o pano de fundo seria encontrar uma forma de pedir a cabeça do secretário de Segurança, André Garcia. Para os meios políticos, dificilmente irão conseguir, pois seria uma demonstração de fraqueza do governo do Estado.
Os negociadores II
Ao mesmo tempo, neste caso, não seria a primeira vez que o governo entregaria uma cabeça a prêmio, na tentativa de transferir culpa. Hartung não costuma ter dó nem piedade quando está sob ameala sua própria imagem.
Mal na foto
Imagem esta, aliás, que está propagada nesses dias em rede nacional e internacional com o pior cenário possível. O governador, obcecado por mídia, terá trabalho para recuperar a pose de “gestor exemplo” que vem divulgando no País desde o ano passado, com investimentos a perder de vista.
Maquiagem
O deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ) tratou da crise capixaba em suas redes sociais. Com o título “Espírito de Guerra”, disse assim: “Até ontem se dizia que o Espírito Santo era um dos poucos estados brasileiros bem administrados, sem grandes crises, com contas equilibradas. O governo era de um PMDB 'diferenciado'…Tudo aparência e propaganda enganosa (…)”.
De volta
Por falar nisso, Hartung retornou ao Estado nesta terça-feira, após internação em São Paulo para intervenção cirúrgica. O comando, no entanto, continuará com o vice César Colnago (PSDB). A conferir.
Estreia
O novo presidente da Assembeia, Erick Musso (PMDB), mal assumiu a cadeira e já participou de uma reunião bem tensa no Palácio Anchieta com os chefes dos outros poderes para debater a situação da segurança no Estado. Já chegou descascando abacaxi.
Nas redes
“Tudo para dar errado. Um Governo sem condição de gestão. População sem leitura política dos fatos e amedrontada. Estamos sentados num barril de pólvora. Sindicatos e movimentos sociais têm que intervir nessa crise”. (Advogado André Moreira – Psol – no Facebook).
PENSAMENTO:
“A maneira mais rápida de acabar com uma guerra é perdê-la”. George Orwell

