Com a crise política que vem se acirrado desde junho de 2013, com uma aversão da população à classe política, a estratégia que vem sendo defendida pelos marqueteiros de plantão para a disputa do próximo ano é a de os candidatos adotarem uma postura de centro: “nem direita, nem esquerda, muito pelo contrário”.
Como se trata de uma eleição local, quem entrar nessa onda de defender ideologias políticas pode ficar pelo caminho. Mais do que nunca a máxima aristotélica de que a “virtude está no meio” está em alta. Apresentar um bom catálogo de realizações – se tiver – ou uma boa proposta de governo vale mais do que defender governo ou oposição no campo federal.
Também vale para a disputa estadual. Andar de mãos dadas com governador Paulo Hartung (PMDB) ou contra ele investir pedradas, para quem quer ser prefeito, pode não atrair votos. Encarar o eleitor e pedir seu voto vai exigir uma estratégia bem definida e uma abordagem cuidadosa.
Colocar-se como avesso à atual dinâmica política exercida em todos os níveis é uma boa saída para quem não quer espantar o eleitor. Mas também não adianta sair pregando a antipatia à velha política sem ter algo novo para apresentar. Não adianta muito trocar de roupa e esperar que o eleitor não faça a associações sobre o passado do candidato.
Ele reconhece como novo, aquele que não tem amarras, não defende um grupo ou ataca de acordo com interesses, que tem bandeiras claras e de preferência de abrangência, que fale aquilo que a população quer ouvir, que hoje, em sua maioria não passa pela disputa política entre PT e PSDB ou qualquer tipo de partido, direita e esquerda ou qualquer tipo de governo.
O negócio é correr por fora, apresentar-se como figura que não se encaixa nos rótulos, mas que tenha capacidade de articulação e debate, sem se deixar levar pelos conchavos. Parece muito, mas nada que a classe política não consiga criar em seus escritórios antes de ir para a rua.
Fragmentos:
1 – Alguns presidentes de Câmara de Vereadores do Estado esperam que a máquina seja suficiente para garantir a entrada na disputa de 2016. Bom, não será!
2 – Esperar que o presidente da Assembleia Theodorico Ferraço (DEM) fosse pra cima do Ministério Público é querer demais, principalmente depois do arquivamento da denúncia sobre a Derrama.
3 – A saída de Fabiano Contarato parece ter pegado o Palácio Anchieta de surpresa. Tanto que não tem um nome na ponta da linha para substituir o delegado à frente do Detran-ES.

