O prefeito Luciano Rezende (PPS) aproveitou uma comemoração antecipada dos Dias dos Pais com os servidores municipais, na noite dessa quarta-feira (9), para comentar a votação, em segundo turno, do projeto de Emenda à Lei Orgânica, de autoria do Executivo, que autoriza a integração do serviço municipal de transporte ao Sistema Transcol.
Ao lado de sete vereadores (10 votaram a favor do projeto), Luciano enalteceu as vantagens da integração. Disse que a única forma de fortalecer o transporte municipal de ônibus é a integração dos sistemas. Ele garantiu ainda que o transporte da pessoa com deficiência não será prejudicado com a extinção do Porta a Porta. Ao contrário, assegurou que o Mão na Roda (correspondente estadual) vai melhorar a qualidade do transporte para esse segmento. Será?
O vídeo gravado por Luciano, um dia após a votação do projeto, não foi casual, como ele quis fazer parecer. A intenção era aliviar a barra para o lado dos vereadores da base, que aceitaram votar a favor de uma proposta impopular, especialmente para as pessoas com deficiência. Os vereadores não conseguiram disfarçar certo desconforto ante as câmeras.
Neuzinha (PSDB), que preside a Frente Parlamentar em Defesa da Acessibilidade, parecia a mais constrangida. Já que ela Duda Brasil (PDT), Mazinho dos Anjos (PSD) e Roberto Martins votaram contra o projeto. Aliás, depois de Roberto Martins, a tucana fez as críticas mais agudas ao projeto. “Precisamos da integração. Precisamos. Mas não fala nada em momento algum [sobre o Porta a Porta]”. Reticente, ela lembrou que, na votação para a concessão do serviço de transporte, em 2004, as empresas prometeram “um monte de coisa”, mas, segundo ela, acabaram não cumprindo.
Não se sabe se o vídeo foi uma “pegadinha” do prefeito para cima da vereadora, mas Neuzinha passou a mensagem de estar convencida — algumas horas depois de votar contra o projeto — de que a integração, como defende Luciano, é a melhor solução para o sistema de transporte público municipal.
Por trás da narrativa prepotente do prefeito de que seu projeto recebeu apoio da maioria da Câmara porque é garantia de um salto na qualidade do serviço, se esconde o verdadeiro objetivo da administração municipal, que é reduzir gastos com o transporte público. Luciano, porém, não precisaria ser usuário regular do serviço para saber que o transporte de ônibus (estadual e municipal) deixa muito a desejar, especialmente o destinado à pessoa com deficiência.
Ele também tem plena convicção de que o Mão na Roda não vai dar conta de atender mais uma massa de usuários de Vitória. Esses usuários serão obrigados a migrar para o serviço estadual. Contra o discurso otimista de melhora do serviço, basta lembrar que o Porta a Porta tem quase 400 pessoas na lista de espera, que agora terão que entrar na fila do Mão na Roda.
Como tentou alertar o vereador Roberto Martins, a aprovação do projeto está “sepultando” o Porta a Porta, e junto com ele a garantia de acessibilidade desse segmento que é quase sempre excluído.
O prefeito Luciano Rezende parece não se importar em ser coveiro do Porta a Porta porque não é capaz de enxergar a pessoa com deficiência, que continua invisível aos olhos desta administração.

