Os contribuintes que cobram que o dinheiro gasto com impostos seja revertido em serviços públicos de qualidade – e mesmo os que não se importam muito com isso porque já não acreditam no poder público – ficaram embasbacados com o preço pago pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) por um lote com 75 mil repelentes que estão sendo usados na prevenção ao mosquito Aedes aegypti. Cada frasco do produto saiu por R$ 23,50. Total da compra: R$ 1.762,500.
Desde que a notícia foi publicada em primeira mão pelo jornal A Gazeta (23/04/16), muita gente tem feito pesquisas no mercado para comparar o preço do produto na praça e o valor pago pela Sesa. A mesma reportagem apontou que a prefeitura da Serra também havia adquirido um lote de repelentes com princípio ativo idêntico, mas pagara menos de 1/3 do valor pago pelo Estado: R$ 8,80.
O deputado Sérgio Majeski (PSDB) foi um dos que não se conformaram com a discrepância de preços. O tucano foi conferir pessoalmente os preços nas farmácias da Grande Vitória para tentar desvendar o que havia de especial no produto comprado pelo governo. Descobriu que a diferença se limitava ao preço. Majeski encontrou repelentes a R$ 15, mas para uma compra de 75 mil unidades o valor de varejo deveria cair significativamente. Caso da prefeitura da Serra, que comprou cerca de quatro mil e viu o preço unitário cair para R$ 8,80.
Restou ao deputado, cumprindo seu papel de agente fiscalizador do Executivo, protocolar esta semana na Assembleia um pedido formal de explicações ao governo. Comparado ao preço pago pela prefeitura serrana, o governo do Estado, ou melhor, o contribuinte, pagou mais de R$ 1 milhão apenas nessa compra.
O que causa mais espanto nesse episódio é o fato de o secretário de Saúde Ricardo de Oliveira, considerado pelo governador Paulo Hartung um craque em gestão, ter cometido uma pixotada dessa grandeza. Afinal, a falha ginasial de gestão custou aos cofres públicos um prejuízo de mais de R$ 1 milhão.
Deixar uma quantia dessa importância escorrer com tanta facilidade pelo ralo, justamente na pasta do craque da equipe, é um contrassenso sem precedentes, sobretudo para um governo que tem imposto cortes lineares em todas as secretarias, dentro do princípio de “vender o almoço pra pagar a janta”.
Considerando que o “garrancho” administrativo veio da pasta de um craque, é inevitável não levantar suspeição sobre o caso. Ricardo de Oliveira, gostando ou não, terá de explicar que não se trata de compra superfaturada e que ninguém levou vantagem desse milhão pago a mais.
Se nessa transação o prejuízo foi de um milhão, causa preocupação imaginar que outras tantas compras, muitas delas sem licitação em função da urgência, são feitas diariamente pela Saúde.
Quantos gols contra teria feito o craque do time de Hartung nesse quase ano e meio que está à frente da Saúde? Lembrando que a pasta comandada pelo Neymar da equipe administra um orçamento de mais de R$ 2,4 bilhões (2016).

