Pelo andar da carruagem das eleições ao governo do Estado, Paulo Hartung (PMDB) jogou nova luz à sua candidatura ao contratar o marqueteiro e consultor político, Jorge Oliveira. Até mesmo por ter sido alvo dele: havia sido derrotado por Jorge nas eleições municipais de Vitória, quando o seu candidato, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), perdeu para o prefeito Luciano Rezende (PPS). E Jorge era o marqueteiro de Luciano.
Se não houvesse segundas intenções de mídia, não haveria razão para trazê-lo. Sua candidatura estava nas mãos da marqueteira de um dos melhores currículos de Vitória, principalmente nas eleições para o governo, Bete Rodrigues. Além do mais, o Jorge, em termos de Espírito Santo, tem o DNA do Luciano Rezende, que está na campanha do governador Renato Casagrande.
Como é comum nas coisas do Paulo, a mudança gera as mais controvertidas e diferentes visões. Todas elas dão PH na cabeça. Mas, naturalmente, com prazo de validade. Quando esse assunto acabar, outros serão produzidos, principalmente aqueles feitos para deixar vulnerável o governador.
Enquanto isso, Casagrande corre o Espírito Santo com o mesmo discurso de falar do seu governo, permitindo que Hartung continue falando que “colocou o Estado no rumo certo, mas o Estado perdeu o rumo e o ritmo”.
A estratégia de Hartung é exatamente fazer com que Casagrande continue falando de si, em lugar de falar das mazelas do governo dele. E o governador continua mordendo a isca, ao mesmo tempo em que deixa os hartunguetes tomando conta do seu governo, em lugares chaves e em posição majoritária no segundo escalão da gestão estadual. Passam despercebidos e ficam muito à vontade para agir.
A verdade é que esse defeito do governo de Casagrande é de origem. Ou seja, de início, quando tomou posse do governo e deu as principais áreas para o pessoal de Paulo Hartung.
Há hartunguetes que permaneceram na máquina do governo, mas não usam o crachá, e vão aprontando à vontade. Um deles é o secretário de Segurança, André Garcia, mantido por Casagrande e que consegue juntar os governos de Hartung e o atual no caso da violência.
Garcia pega a negligência do governo do Paulo, que foi incapaz de formar novos soldados (algo em torno de apenas de 300), e junta com os 4.500 que Casagrande formou, pegando carona na redução dos crimes. Assim, vai cumprindo o seu papel de resguardar o governo passado. E pior: exatamente no assunto que deve ser o eixo das eleições deste ano.

