A Vale demitiu mais de dois mil funcionários das terceirizadas neste primeiro semestre de 2015. O motivo alegado é a crise econômica. A justificativa tem sido aceita com certa parcimônia pelo movimento sindical. Há alguma coisa errada aí. Afinal, a produção industrial do Estado segue em alta, logo, falar em crise não dá.
Nas últimas semanas, a coluna vem criticando a postura do Sindicato dos Metalúrgicos em relação às demissões de terceirizadas da Vale, que estão sendo esquecidos.
O sindicato deve ficar além do discurso de crítica às demissões. Tem que ir lá, conhecer a realidade, procurar os motivos e buscar soluções negociadas para os trabalhadores. Isso abre uma brecha para que o sindicato coloque na mesa o contrato coletivo nacional, que discutiu no encontro da Confederação Nacional dos Metalúrgicos. Se há um espaço para discutir isso é esse, o momento é agora.
Não adianta ficar só na mesa de negociação, conversando sobre questões salariais e ouvir o patrão reclamar que não tem dinheiro. Se acabou a obra antes do previsto, a obrigação da empresa é pagar o valor acordado e pronto. Aliás, se foi isso merece até um prêmio extra. E aí o sindicato tem que apertar as terceirizadas e não a empresa contratante.
Aliás, o sindicato deveria buscar o apoio da Justiça Normativa do Trabalho para garantir o direito desses trabalhadores. É um absurdo existir as terceirizadas dentro da Vale, mas já que existem, que o sindicato aperte o cerco a elas. Afinal, pagam menos, oferecem muito menos condições de trabalho e ainda não cumprem os contratos firmados.
Cabe também aos trabalhadores dessas empresas não deixar barato. Cobrar dos sindicatos a representatividade em cada área. Cobrar que o sindicato tome conhecimento e acompanhe o cumprimento da carta de intenções na hora do contrato e cobre seu cumprimento.
O que não pode é o sindicato ficar só no discurso, as empresas com o lucro e os trabalhadores com o prejuízo. Dizer que está demitindo por causa da crise é muito fácil. Cabe ao sindicato refutar essa justificativa estapafúrdia.
Fiscalize, sindicato!