“A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”. A célebre frase de Darcy Ribeiro parece refletir uma máxima verdadeira para todas as camadas da “cebola política” brasileira – meio ambiente incluso.
Apesar de ser abençoado pela ausência de desastres naturais como vulcões, terremotos e tufões, o Brasil amarga a desgraça de suas catástrofes ambientais. E nós, capixabas, juntamente com nossos vizinhos mineiros, tivemos a infelicidade de sediar o ápice dessas tragédias: a enxurrada contaminante do Rio Doce e seu estuário, que infringiu brutalmente as políticas públicas do Ministério do Meio Ambiente Brasileiro, mas, nem por isso, deixou de ser solenemente ignorada.
Se por um lado a sociedade brasileira ainda luta para assimilar o caráter imprescindível da preservação ambiental na busca por uma consciente ordem e progresso da nação, por outro lado, os destruidores aceleram a implementação de projetos cada vez mais escancarados.
O evento mais recente de planejamento estratégico contra o meio ambiente nacional alcança o absurdo e junto a ele expõe o menosprezo à cidadania impregnado em nossa política. Tratam-se das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº4717e nº3646, as quais propõem a votação de leis para permitir o descumprimento da Legislação Ambiental vigente, sobretudo no que se refere aos pilares do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Ou seja, o placebo social para não cometer crimes ambientais seria a descriminalização da destruição de unidades de conservação.
O alarde das ONGs conservacionistas diante dessa ameaça não deixa dúvidas. Seria o verdadeiro cataclisma! Essa simples medida poderia atingir de uma só vez todos os ambientes protegidos do país, escalonando o crime contra o Rio Doce à mera ponta de um “iceberg” de devastação da vida.
Novamente, nós, capixabas, teríamos muito a perder. Das nossas florestas de tabuleiro habitadas por onças pintadas e gaviões reais à rica cadeia de montanha submersa de nossa costa, nossas restingas, manguezais e os campos de altitude…
Uma vasta diversidade natural que historicamente representa uma potência de desastres ambientais, como uma bomba relógio. Mais do que nunca, o Espírito Santo e o Brasil precisam de um melhor planejamento econômico – um que não esteja disposto a rifar as riquezas da humanidade!

