Sexta, 17 Setembro 2021

Crise existencial

Depois da eleição municipal, o PT capixaba começa, ainda que timidamente, a discutir seu Processo de Eleição Direta (PED), que só acontecerá em dezembro de 2013. Mas até lá, o partido deve se desdobrar internamente para tentar aprofundar um dilema existencial: ser ideológico ou aderir de vez às articulações políticas esdrúxulas que se estabeleceram no País.



Pelo jeito, os prefeitos reeleitos Leonardo Deptulski e Carlos Casteglione já fizeram suas escolhas. Não titubearam em declarar apoio a Rodney Miranda (DEM) no segundo turno em Vila Velha. O que significa isso? Mais do que apoiar um candidato que pertence a um partido da oposição à presidente Dilma Rousseff, estamos falando do ex-secretário de Segurança do governo Paulo Hartung (PMDB).



Governo que se destacou negativamente nessa área, seja pela vista grossa à matança de jovens negros de periferia, seja pelo desrespeito aos direitos humanos, masmorras, ou ainda pelo grampo à imprensa. Enquanto isso, o PT, ou melhor, parte dele, preferiu não enfrentar os problemas graves do governo, apegando-se à base de Paulo Hartung, e em nome dos interesses de um grupo, mudou o perfil do partido.



Não seria justo, porém, creditar toda a descaracterização do PT a duas lideranças apenas. O partido no Estado segue uma lógica que vem sendo implementada no PT nacional, desde a ascensão de Lula ao poder. Mas há que se ponderar sobre o preço a ser pago pela permanência no poder.



Lula abriu mão de um palanque “puro” e foi graças a aliança com outras forças políticas, algumas do campo progressista, outras nem tanto, que chegou à presidência da República. Abriu mão de algumas bandeiras para conquistar a presidência. Mas Lula tinha limites. Nunca antes na história do País, os banqueiros foram tão favorecidos. Por outro lado, os programas sociais, por mais criticados que sejam, garantiram uma certa inserção da população no mercado. Foi em seu governo que a Classe C encorpou.



Algumas brigas antes encampadas pelo partido, como a reforma agrária, a demarcação das terras de comunidades tracionais, indígenas, a luta das minorias, essas questões ficaram complicadas, já que não dá para agradar gregos e troianos. Mas houve avanços.



O problema das alianças estabelecidas no Espírito Santo é que elas beiram à falta de pudor. Se a crítica nacional não perdoou a movimentação petista em São Paulo, que anda de mãos dadas com Maluf, deviam os petistas capixabas ficarem ruborizados ao serem fotografados ao lado de Camilo Cola (PMDB).



Fragmentos



1 – Os deputados estaduais aproveitaram a sessão da Assembleia Legislativa desta quarta-feira (17) para lembrar o abandono da obra do Cais das Artes, na Enseada do Suá, em Vitória. Uma comissão de parlamentares vai visitar as obras, que estão paradas.



2 – José Esmeraldo (PR) lembrou que a licitação foi feita no governo passado, sem que se considerassem as dificuldades financeiras pelas quais o Estado passaria no futuro. Hartung deixou a bomba para seu sucessor, que sem dinheiro não pode dar continuidade à suntuosa construção.



3 – Orçada inicialmente em R$ 115 milhões, seria a menina dos olhos do governo Paulo Hartung, e se tornou o elefante branco do governo Casagrande. Além disso, a população reclama que o lugar está sendo tomado por usuários de crack.

Veja mais notícias sobre Colunas.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Sexta, 17 Setembro 2021

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.seculodiario.com.br/