Algumas situações reais observadas no “laboratório” do comportamento de consumo me motivaram a escrever esse artigo.
Partimos do ponto de que existem variáveis no comportamento de consumo desenhadas a partir do próprio tipo de consumo.
Nas compras de bens de consumo duráveis ou de roupas e acessórios há uma pergunta necessária e aplicada previamente, que orienta a pesquisa de preço, a negociação e o zelo pelo que é seu, que é: -“quanto custa? ”.
Pasmem, mas muitos não agem assim e nem fazem essa pergunta. Escolhem o produto, até podem se surpreender na hora de pagar, mas mesmo assim levam, escolhendo na hora uma opção de pagamento que nem sempre é a ideal. Às vezes até se enrascam, porque esbarram em outro comportamento de risco que é o status. Sentem que não tem condição de pagar por aquilo que escolheram, mas o receio do que “vão falar deles” e a sensação indesejável de fracasso é maior do que o risco de se endividarem, nesses casos, geralmente, desnecessariamente.
Outras situações ocorrem no consumo de lazer e serviços. Quando sentam a mesa de um bar, de um restaurante ou em uma casa de show, a relação de consumo fica um pouco diferente. Não há possibilidade de pedir desconto após terem consumido o que escolheram. A regra básica permanece ativa; ou seja, o cardápio, a carta de bebidas, o valor do couvert artístico, tudo o que você tiver a intenção de consumir deve ser estimado antes de iniciar “os trabalhos”. É o famoso exercício do cálculo mental.
Há uma tendência de afrouxar as rédeas quando se vai à balada, ou quando sai de férias. O que motiva isso é a sensação de liberdade, o prazer e o famoso “eu mereço”.
Existe também ameaça percebida no momento em que a conta chega e não é conferida. Isso sonega o direito de pagar pelo que realmente levou, mas está exclusivamente em nossas mãos. O estabelecimento comercial segue regras, mas cabe ao consumidor fazer valer e exercer o seu direito, considerando que há sempre uma margem de erro, o que com a conferência, tende a sanar ou a reduzir. Mas se não confere a nota, novamente não está zelando pelo o que é seu.
Na hora da conferência existe outra ameaça. O troco. Você confere o seu troco? Não? Calma, porque você ainda não está sozinho. Muitas pessoas não conferem o troco também.
A conferência não é somente para verificar o valor devolvido, mas também se o dinheiro não é falso. O que é outro risco atual.
Até mesmo nas máquinas do auto-atendimento do banco pode haver erro, ou na hora de digitarmos o valor a ser sacado ou por falha da própria máquina. Aí o hábito de conferir novamente pesa muito.
A correria do dia a dia facilita o risco de não cuidarmos bem do que é nosso.
A letra da música do Barão Vermelho resume bem esse assunto – “O que você come, bebe,fuma, compra, veste e usa? Cuidado! Senão você dança!”.
Ivana Medeiros Zon é assistente social, especialista em Saúde Pública e em Estratégia Saúde da Família. Autora do Projeto Saúde Financeira na família: uma abordagem social, com foco em educação financeira.
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