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Terça, 01 Dezembro 2020

Da arte de não dormir

 

Considerando as milhares de opções de lazer e trabalho que a vida moderna nos oferece, dormir nos dias de hoje é um desperdício. Com tantas maravilhas abarrotando as prateleiras das lojas, exigindo nosso tempo e atenção, por que ainda nos atamos a esse costume do tempo das cavernas, quando os primeiros humanóides dormiam porque não tinham nada que fazer na escuridão da noite? Dormir, hoje, é um desperdício de vida útil.
 
Pense nas vantagens de não dormir - maior aproveitamento da alta tecnologia posta à nossa disposição; mais interações sociais no facebook. Quantas vezes dizemos, ou ouvimos alguém dizer, Ah, queria ver esse filme mas não tive tempo... Eu ia lhe ligar, mas não deu... Preciso aprender mandarim, mas só quando o dia tiver 30 horas... Tempo é uma energia estática, e não sabemos controlá-lo ainda. O melhor que se pode fazer é não desperdiçá-lo.
 
Médicos e cientistas insistem nas tradicionais oito horas de sono diárias para a saúde e o bem estar, mas isso pega bem para crianças, não para marmanjos. Não que elas precisem, realmente, mas o que seria de nós se os filhos não dormissem? Estaríamos condenados a ver Bob Esponja a noite toda. Sabemos o quanto esses pixotes dominam o cenário doméstico, e não importa o número de TVs na casa, eles controlam os controles remotos. Eu tenho a força? Pois sim!
 
Médicos e cientistas se enganam; a ciência é inconstante. Todo dia descobrem que velhos preceitos e preconceitos estavam errados. Olha o ovo e o café... O hábito de dormir vem na herança genética desde que o homem aprendeu a controlar o fogo e pôde descansar. Mas o corpo se acostuma com tudo, bem sabemos. Tem gente que vive no Polo Norte, tem gente que vive no Saara. Tem ricos ficando pobres, tem pobres ficando ricos. Conheço uma pessoa que não dorme desde os sseis anos, e já chegou aos 60. Nada mal, pois muita gente que dorme muito viveu menos.
 
Dormir ou não dormir também obedece a essa dinâmica – tem que se adaptar a um novo estilo de vida, tal como se aprende a eliminar gorduras e açúcar da dieta para perder peso. A palavra chave então é descanso. Precisamos de oito horas de descanso para o bom funcionamento do corpo e da alma, não de apagar totalmente numa espécie de morte reversível. Esse é o filão que a medicina moderna está deixando escapar – ao invés de gastar bilhões com remédios para dormir, devia investir em remédios para não dormir.
 
Ninguém precisa dormir no ponto, esperando a indústria farmacêutica acordar para a realidade. Existem técnicas de não dormir que se pode pôr em prática para aproveitar mais a vida; pequenos truques para ajudar sua reeducação. Converse com seu corpo – seu cérebro é o mestre, o senhor absoluto da massa operária de ossos e órgãos abaixo dele. Diga, não estou com sono, não tenho tempo para dormir. Mantenha as luzes acesas, o computador e a televisão ligados, o som a todo volume. Dance ou faça ginástica nas hora mais insólitas.
 
Saia, frequente bares , festas noturnas, ande com gente que não costuma ir pra cama antes das cinco da manhã. Não use suas 24 horas de vida útil em mais trabalho; nem pense em arranjar um emprego noturno. Pense em lazer e diversão. Pense em todos os livros chegando às livrarias, todos os filmes chegando nos cinemas, todos os emails que não tem tempo de abrir, quanto mais responder... Faça o que gosta, e verá que o sono, esse mau hábito rudimentar, não combina com a vida moderna.

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