Paulo A. Ribeiro e Paulo B. Ribeiro vivem em diferentes hemisférios desse universo chamado terra, que em outro nunca pisaram. Nunca se viram e nunca se encontraram, e ignoram totalmente a existência um do outro. Nomes iguais num mundo tão populoso é fato corriqueiro, não fossem eles gêmeos doados ao nascer, e os pais adotivos não sabiam da existência de um irmão, nem tinham ideia de que nome receberia ao ser registrado.
Esbarramos com coincidências a cada momento da vida, algumas banais, algumas bizarras, algumas estranhas. Neiva Miranda desfrutava tranquila viagem de um dia para as Bahamas. O navio chega em Bimini, os passageiros descem para turistar pela cidade – praia, cassino ou compras – e devem retornar às cinco, quando o navio recolhe as âncoras e volta para Miami. Neiva errou a hora e perdeu a viagem de volta, tendo que ficar no país até o dia seguinte.
No mesmo dia, um navio norueguês que não faz escala nas Bahamas sofreu uma pane e teve que parar para reparos no porto mais próximo, Bimini. Os passageiros foram deixados no mesmo hotel em que Neiva estava hospedada, entre eles um certo Gutz Frienberg. Final óbvio: eles se encontraram, se amaram, e se casaram para sempre, coisa rara hoje em dia. Teriam eles jamais se encontrado, não fossem esses desvios de rotas?
Quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Em Detroit, 1930, uma criança cai da janela de um edifício em cima de um passante chamado Joseph Figlock. O corpo de Joseph amorteceu a queda e a criança não se machucou. Um ano depois, no mesmo lugar, a mesma criança cai outra vez da mesma janela. E quem passava exatamente nesse momento? O mesmo Joseph, que pela segunda vez salvou a vida dessa criança.
O escritor Mark Twain nasceu em 1835, no momento em que o cometa Halley riscou os céus, e morreu no dia da aparição seguinte do cometa, em 1910. Ele chegou a prever o fato em 1909, dizendo: “Eu cheguei no cometa Halley em 1835. Ele deverá voltar no ano que vem, e eu espero ir com ele”. O cometa voltou em Fevereiro de 1986, e deve ser visto outra vez em 28 de julho de 2061, sendo o único cometa que pode ser visto duas vezes por um ser humano.
Quando a escritora americana Anne Parrish visitou Paris pela primeira vez, em 1920, entrou em um sebo e deparou com o livro “Jack Frost e Outras Histórias”. Ela mostrou o livro ao marido, dizendo que era seu livro favorito na infância. O marido abriu o livro e encontrou escrito à mão na primeira página, o nome Anne Parrish, e o endereço onde ela morava na infância.
Livros, aliás, tendem a criar coincidências embaraçosas. Meu marido não se desfaz de seus livros, mesmo quando ficam muito velhos ou têm edições mais novas. Certa vez joguei alguns fora, mas tive o cuidado de usar a cesta de reciclagem de outro condomínio, longe do que morávamos. Um ano depois ele encontra o livro jogado no lixo, em um terceiro condomínio, para onde mudamos. Prova irrefutável do crime: o nome dele escrito por ele mesmo na primeira página.

