Finda a campanha eleitoral, ressoam no ar os ecos/ecos/ocos das promessas dos candidatos.
Só para lembrar, eles farão ou fariam as reformas tributária, política, eleitoral…
Ficou esquecida a necessidade da erradicação da marquetagem em campanhas políticas.
Lamentável que algo tão importante como as campanhas eleitorais fique nas mãos de profissionais movidos pelo afã de ganhar dinheiro.
Pode-se argumentar que, havendo dois candidatos, uma marquetagem anula a outra, de modo que entre mortos e feridos sobrevive a democracia. Não é bem assim.
Campanha eleitoral antes era feita em conversas, reuniões simples ou assembleias. Depois se inventaram os comícios, as marchas e passeatas, as carreatas.
Em seguida passou a rolar mais no rádio e na TV, mantendo-se a imprensa como um painel de fundo onde se pregam as chamadas, as frases, os slogans escritos.
E agora as campanhas chegaram à internet, turbinando a velocidade dos dados — e dos danos.
À luz intensa da WWW, os candidatos são alvos de disfarces, distorções, exaltações, manipulações e truques.
Cansados e confusos, os eleitores vão às urnas com a sensação de que estão apenas cumprindo um ritual quadrienal que já não tem força para as mudanças desejadas pelas pessoas e prometidas peles candidatos após pesquisas feitas pelos marqueteiros visando ajustar as pontas do processo.
Feita a contagem dos votos, permanecem no palco mais ou menos os mesmos atores, recitando o mesmo script de uma peça assaz conhecida.
É fundamental votar, mas a democracia não pode reduzir-se a uma ida às urnas a cada quatro anos.
É preciso democratizar de fato, mediante uma combinação de reuniões comunitárias com o emprego contínuo dos instrumentos eletrônicos disponíveis – de preferência, sem manipulações etéreas/deletérias de marqueteiros.
Por exemplo: no final do século XX, foi iniciada em Porto Alegre a experiência do orçamento participativo, mediante o qual a população reunida nas comunidades exercia o direito de escolher as obras em que a prefeitura deveria aplicar parte dos seus recursos.
Mecanismo semelhante pode ser usado em outras instâncias: educação, saúde, segurança etc. Cooperação e solidariedade são sinônimos de democracia.
LEMBRETE DE OCASIÃO
Se Haddad é o poste de Lula, Bolsonaro é um fio desencapado dos porões da ditadura militar.

