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De que lado você está?

Repare na quantidade de pastores oriundos de seitas neo pentecostais que são candidatos nessa eleição? Certamente uma ofensiva orquestrada pelo fundamentalismo cristão, para coibir a laicidade constitucional e implantar uma teocracia, demagógica e oportunista. Pense bem! Já percebeu a gravidade da situação?
 
Já temos experiência nessa invasão dogmática. Se em políticos de visão ecumênica, a chantagem eleitoreira surte efeito, distorcendo propostas sérias e de inclusão social, imagine em políticos de clara postura religiosa e de aderência bíblica – o efeito é devastador! Vão pelo ralo direitos humanos e respeito a diversidades, surge uma impostura democrática, intolerante, que rapidamente devora princípios de isonomia e se impõe como única verdade.

 

Um retrocesso ameaça nossa ainda infante democracia. Nós, os LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), somos os primeiros a sentir na carne. 
 
Mas, se por um lado nos tornamos vitimas, por outro nos fortalecemos na adversidade. Passamos a nos valorizarmos como moeda dessa troca de votos. Se por um lado Marina trai seu partido hospedeiro, renega posições de Eduardo Campos e se coloca servil ao preconceito excluindo ao invés de incluir. Por outro fazemos brilhar o arco-íris e despertamos em outros candidatos a simpatia e o interesse. Logo percebem que somos um sensível acréscimo em potencial nas urnas.

 

Por exemplo: Dilma que já sucumbiu à pressão do fundamentalismo de políticos evangélicos, hoje, ameaçada por eles, se volta para a diversidade sexual e acena com promessas tentadoras.
 Luciana Genro, sem negar suas origens gaúchas, faz de seu discurso uma ode à inclusão e apoio na luta pela criminalização da homofobia, condenando declaradamente a ácida mistura política/religião.

 

Percebam que a situação é delicada, mas que, talvez pela primeira vez, tende ao nosso favor. Se um nos nega, o outro volta atrás e tenta uma reaproximação, isso falando no duelo majoritário, como apontam as pesquisas. 

 

E se o passado foi cruel tornando o presente amargo e ameaçador, o futuro pode ser a evolução do que se apresenta tímido hoje, com os parceiros de partido de Jean Willys, onde na construção programática, os pequenos ganham destaque, e a fala é clara e sem entrelinhas.

 

Estamos longe de uma verdadeira campanha em prol do reconhecimento e da igualdade? Sim estamos. Mas que se lembrem os mais velhos, quão longe estávamos na época da ditadura militar, apoiada no tripé tradição, família e propriedade, a TFP, ainda hoje anunciada aos quatro cantos pelos “bolsonaros” da vida.

 

 Sobrevivemos e avançamos no processo democrático, mas ainda corremos o risco do retrocesso. Agora pelo viés do fundamentalismo neo-pentecostal, quando Malafaias e Felicianos se tornam eminências pardas no processo eleitoral. Aproveite bem e essa lição histórica e decida – de que lado você está?

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Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

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