
Diferentemente do que prevê o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), de que as eleições no Estado vão se ligar à disputa presidencial, estou mais inclinado a achar que ela será mesmo de cunho regional, com base nos mais recentes fatos. A começar pela constatação da pouca possibilidade de o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) ganhar uma convenção para escolha do candidato ao governo no seu próprio partido. O governador Renato Casagrande tomou conta do PMDB. Junta-se a essa hipótese a liberação do ex-prefeito de Vitória João Coser, pelo comando nacional do PT, para adotar a candidatura que mais convir ao partido no Estado. Caminho aberto para dar Casagrande ao governo, Paulo Hartung para o Senado e Coser na vice.
Alívio
O tiroteio de Hartung em cima do governador contribuiu para se chegar a essa solução Casagrande-Hartung-Coser. Alívio para PH, já que não fazia sentido ele enfrentar Casagrande numa parada para o governo.
Ainda mais…
Quando está em jogo o seu futuro. Se perdesse, Hartung morreria politicamente. Além disso, Casagrande sempre quis a companhia do antecessor como candidato ao Senado.
Bom tamanho
O Senado está na medida dele, que fez das tripas coração para passar os últimos quatro anos sem mandato. Pipocou denúncia para cima dele. Quem duvidar de que Hartung não ganharia uma convenção é só dar uma olhada na atual correlação de força dentro do PMDB.
Bom tamanho II
Os prefeitos do partido estão com Renato, a bancada de deputados estaduais, à exceção de Paulo Roberto, e ainda parte substancial das lideranças interioranas.
Não dá
Fora os ex-prefeitos Guerino Zanon e Roberto Valadão, de Linhares e Cachoeiro de Itapemirim, a maioria é desfavorável ao ex-governador. A deputada Rose de Freitas andou contribuindo em desfavor, posicionando-se como pré-candidata ao Senado pelo partido.
Presente
Conhecido como uma espécie de pêndulo nas disputas internas do PMDB, o atual conselheiro do Tribunal de Contas, Sérgio Borges, ex-deputado estadual, é figura histórica do partido, pode não estar de corpo presente no processo, mas o seu pessoal, ou melhor, seu ex-pessoal, está todo alinhado em favor de Casagrande.
E Lelo?
Pois é, nesses números desfavoráveis a PH no partido, tem muito do fraco desempenho do deputado federal Lelo Coimbra à frente do partido. Confundiu o silêncio das lideranças com concordância para os seus atos. Enquanto PH foi governo, ele fez o que quis no partido. A conta agora chegou e é impagável.
E Ricardo?
O senador está mais para continuar fazendo um mandato com destaque no Senado, jogando para o futuro. A não ser que haja uma reviravolta e o cavalo passe arreado. Mas não há, por ora, qualquer animal à vista na sua proximidade.
E Coser?
Por não apresentar reais condições de ganhar o Senado, a área nacional do partido concordou em entregar-lhe a escolha da disputa. É de se prever que ele vai preferir a vice, que não tem nenhum risco. O Senado só no caso de PH rejeitá-lo, que não é mais o caso. Como vice, terá pelo menos, os oito meses finais do segundo mandato de Casagrande, quando ele sair para disputar o Senado
E Magno?
Para dar conta dessa situação em formação, só se o senador Magno Malta, do PR, descesse das nuvens com essa pretensão em candidatar-se à Presidência da República e caísse na real: candidato ao governo do Estado.
No mais
Com a devida descrição e alguma reserva, o governador Renato Casagrande e o ex-governador Paulo Hartung já andam se falando.
PENSAMENTO:
“A democracia não olha para trás, ela olha para frente”. Thomas Mann

