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Debutante ocasional

Chegou aos 15 anos, e não melhorou em nada! Há 15 anos sento na frente da telinha de um computador – às vezes ainda à mão, outras até em máquina de datilografia, como escreviam os autores do Olimpo. E já perdi a conta de quantas vezes apertei a tecla enviar, corajosamente jogando na rede essa conversa informal, tentando pescar leitores desprevenidos. Duas vezes na semana, fora os lapsos de tempo ou de computador, são quase 1.500 tentativas literárias cujo gênero nem Sócrates conseguiria definir. Minicontos e pespontos, conversa e sem verso, mediações, meditações, alucinações, de-onde-foi-que-ela-tirou-essa-ideia? Fatos vistos, imaginados ou inventados, ditos desditos ou repetidos…. Um olhar descontraído – mas com algum humor – na vida alheia, que na minha deixo pros outros olharem. Mesmo porque, quem quer saber o que faço ou desfaço, do que gosto ou desgosto, o que me faz rir ou chorar, se jogo na loteria, que filmes prefiro ou em quem votei nas eleições? Banalidades, futilidades, pequenas manias e idiossincrasias, como o negativo da foto que, se revelado, traçaria um perfil, uma personalidade, um jeito de ser igual mas diferente de todo mundo. Como a cebola que se vai tirando as camadas, no final restam apenas algumas lágrimas. O que nada define, pois choramos de dor e de riso, mas por qual choramos mais é que faz a diferença.
 
Apesar da informação adicional – escreve diretamente de Miami – meu espaço também é um advérbio indefinido. Posso estar em Miami ou no Brasil, em corpo presente ou em estado de graça, ou em algum outro lugar onde o acaso ou a sorte me leve. Pois trabalho em Miami mas moro em Miramar, que já é outra cidade. Em Nova Almeida, beira-rio, se viro a câmera para fotografar o lado direito, aparece a informação Aracruz no visor; se viro para fotografar a esquerda, aparece Serra. No entanto, não saí do lugar.
 
Estando em Cariacica ou em Nova York, ainda assim a coluna dirá que escrevo direta ou indiretamente de Miami, ignorando as diferenças culturais e sociais desses lugares. E se falo de imigrantes, também não defino os personagens, pois que imigrantes somos todos nós, degredados filhos de Eva, expulsos do paraíso ou de outras vidas, vagando entre endereços e rotas – também já perdi a conta dos muitos lugares onde morei e ainda não garanto que esse é o último. Imigramos de casas e de estado de espírito, de cidades e de vidas.
 
Esses desterrados que me emprestam suas histórias seguem comigo, atados a mim e eu a eles, nem heróis nem vilões, apenas gente como a gente, se agarrando como podem ao breve correr dos dedos sobre o teclado. Não me dê um final infeliz, é tudo que me pedem. Abro um champanhe virtual e baixo no iPad um Parabéns para você que está me acompanhando nessa jornada. Afinal, meu próximo personagem pode ser você.

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