Assim como no período da ex-deputada estadual Brice Bragato, a discussão sobre os impactos dos grandes projetos poluidores no Espírito Santo será restrita ao Psol, que tem como candidata ao governo na eleição deste ano a professora Camila Valadão. Pelas propostas de governo já apresentadas na área ambientai, as críticas, todas contundentes, são muito bem-vindas. Pena não surtirem o efeito e eco necessários na maioria da população.
Primeiro, o Psol nem de longe terá recursos para fazer circular as ações que planejou para os capixabas. Seu debate se dará no campo das ideias, o que costuma render ótimos resultados, porém, inacessíveis para a maioria.
Segundo, como competir com campanhas milionárias como a dos principais candidatos, o governador Renato Casagrande e seu antecessor Paulo Hartung (PMDB), defensores do ES 2025, que beneficia os empresários e as empresas poluidoras? Sem dúvida, uma difícil missão.
Camila levanta questões já alertadas por Século Diário e por movimentos sociais há décadas, devidamente omitidas pela mídia corporativa e governos, que mamam nas tetas dos grandes projetos instalados no Estado.
Aponta os privilégios ao setor privado, seja por renúncia fiscal, isenção ou favorecimentos em licenciamentos ambientais, e os classifica como “escandalosos”. De fato, são.
Além da Vale, ArcelorMittal, Aracruz Celulose (Fibria) e Samarco, que provocam inúmeros impactos ambientais, sociais e econômicos no Estado, e continuam a se expandir, temos a Jurong e uma coleção de portos. Isso só para resumir. Nomes que irão constar, de maneira direta ou indireta – escondida mesmo – nas prestações de contas dos candidatos majoritários e proporcionais. O famoso rabo preso.
Em contrapartida, a candidata do Psol lembra da importância de reverter a lógica, investir no campo e valorizar os povos tradicionais. Assuntos intocáveis para os principais candidatos e até para o candidato do PT, Roberto Carlos. O PT no Estado, como se sabe, há muito não advoga em favor das minorias, muito menos defende o meio ambiente, como nos velhos tempos.
Camila Valadão será mais uma daquelas candidatas espalhadas pelo País que, com projeto alternativo, terá que invadir as redes sociais e se fazer enxergar. Para, assim, conquistar a parte do eleitorado das manifestações de junho de 2013, que no Estado apresentou como demandas da população a questão ambiental, com foco nos grandes projetos e na poluição do ar.
Com candidatos do mesmo grupo político e que reproduzem o modelo de desenvolvimento ditado pelos empresários, tem muito eleitor procurando um candidato com visão crítica para chamar de seu. Camila pode preencher essa lacuna. Se não é para levar o pleito, que seja estabelecido o debate inteligente e as saias-justas. Incomodar é necessário.
Manaira Medeiros é mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e especialista em Gestão e Educação Ambiental
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