No final de 2015, no apagar das luzes, o governo do Estado aprovou na Assembleia Legislativa uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) vergonhosa, que excluiu da Constituição Estadual o artigo 145, que obrigava o governo a divulgar o valor das renúncias fiscais, para quem eram concedidas e por que motivo. O governo alegou que a divulgação constrangia os empresários.
Em meados de 2016, o Sindicato dos Servidores Públicos e outras entidades protocolaram na Assembleia Legislativa um pedido de impeachment do governador do Estado por esconder esses valores, valores que afetaram a remuneração do funcionalismo do Estado. Pregando um discurso de austeridade fiscal, o governador Paulo Hartung (PMDB) deixou de conceder as reposições das perdas dos salários dos servidores, o que gerou toda essa bola de neve que culminou com o caos social, diante do movimento reivindicatório das mulheres dos Policiais Militares.
O movimento sindical deve ficar cada vez mais atento às políticas liberais que estão se instalando no Brasil, a partir do golpe que tirou a presidente Dilma Rousseff do governo, dando lugar a um presidente ilegítimo patrocinado pelo capitalismo. A ideia é diminuir ao máximo o papel social do Estado e liberar o caminho para o avanço das políticas de achatamento da classe trabalhadora.
Neste sentido, mais do que os protestos e conscientização da sociedade, é preciso que o movimento busque cada vez mais espaço na política institucional. Aí vale uma crítica ao PT, que este ano se encolheu na disputa eleitoral. Deveria ter feito o contrário, o movimento sindical deveria ter, ao contrário, inflar seus candidatos, apresentar nomes como alternativa para a sociedade.
No Espírito Santo, o PT conseguiu apenas uma prefeitura, muito pouco diante do número de cidadãos comandados por ela em 2008, por exemplo, que conquistou dois grandes colégios eleitorais na Grande Vitória, além dos dois mais importantes do interior: Cachoeiro de Itapemirim e Colatina. É nas disputas municipais que as lideranças ligadas ao interesse da classe trabalhadora devem começar seu trabalho, na defesa dos direitos conseguidos com muita luta décadas atrás.
É hora de reagir!

