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Derrota de Hartung no TCE

Desde que decidiu entrar na disputa ao governo do Estado, Paulo Hartung (PMDB) passou a maquinar planos para aniquilar politicamente Renato Casagrande (PSB). Durante a campanha, Hartung deu mostras de que estaria disposto a golpear o adversário abaixo da linha da cintura. Os ataques martelavam que o então governador “tropeçara nas próprias pernas”, que não tinha dado o “salto” que ele planejara para o Espírito Santo. Repetia que a gestão do socialista fora  “desastrosa” e “incompetente”. 
 
A vitória nas urnas não encerrou os ataques. O então governador eleito deixou de lado o projeto do seu terceiro mandato e concentrou suas energias nas estratégias para minar politicamente o socialista. Antes de assumir o governo, Hartung refez, com a apoio da Assembleia, o orçamento de Casagrande, rotulando-o como uma “peça de ficção”. 
 
Logo que tomou posse, passou a alardear aos quatro cantos que o antecessor havia “quebrado o Estado”. Com o discurso do caos afiado, preparou a população para o pior, anunciando, em seguida, um pacote de austeridade. O remédio amargo, vaticinou Hartung, seria a única saída para tirar o Estado do buraco. 
 
Paralelamente ao discurso do caos, Hartung acusou o antecessor de ter planejado gastos sem provisão em caixa. O estratégia era provar à população que Casagrande, além de incompetente, fora irresponsável com o dinheiro público. 
 
Para fazer o linchamento público do ex-governador, Hartung escalou Euclério Sampaio (PDT). O deputado encampou na Assembleia Legislativa a CPI dos Empenhos, com o propósito de preparar o terreno para a rejeição das contas de Casagrande, que seria embasada por outro aliado do governador: o Ministério Público de Contas (MPC). 
 
A missão dos procuradores do MPC era convencer (pressionar) os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), que as contas do ex-governador, referentes ao exercício de 2014, deveriam ser reprovadas. 
 
A sessão do pleno do TCE-ES desta quinta-feira (16), dependendo da decisão dos conselheiros, poderia sacramentar o triunfo de Hartung e a condenação política de Casagrande. A rejeição poderia representar a cassação dos diretos políticos do socialista. Uma cartada decisiva de Hartung para riscá-lo do jogo político. 
 
Durante quase sete horas de uma sessão tensa, os conselheiros, à unanimidade, votaram pela aprovação das contas do ex-governador. Detalhe, sem ao menos fazerem ressalvas.
 
Inconformado com a decisão, o procurador do MPCHeron Carlos de Oliveira, tentou por quase três horas, numa defesa desesperada, convencer os conselheiros pela rejeição das contas. 
 
O trabalho foi em vão. A insistência quase obsessiva do procurador chegou a tirar do sério alguns conselheiros. Num dos momentos mais tenso da sessão, o conselheiro Rodrigo Chamoun disse a Heron: “Lá fora quem investiga é a polícia, quem denuncia é o Ministério Público. Mas aqui é o Tribunal que fez a acusação, o MP só propõe”, na tentativa de impor alguma limite a procurador que estava fora de controle.
 
A derrota de hoje (16) no TCE se soma a outras investidas malsucedidas de Hartung contra Casagrande. Desde que pôs em prática sua estratégia de destruir Casagrande, o governador vem acumulando reveses. 
 
As seguidas derrotas de Hartung têm fortalecido Casagrande que, mesmo sem mandato, vem usando com inteligência as redes sociais para fazer a defesa do seu governo. 
 
Hartung tem de saber a hora de recuar. Aceitar a derrota. Deixar Casagrande tocar sua vida e começar, finalmente, a governar. 
 
Já se vão mais de seis meses de governo e Hartung falhou em tudo que se propôs a fazer: está muito distante de fazer o Estado dar o prometido “salto” e vem experimentando sucessivas derrotas no seu projeto de vingança pessoal. 

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